Acordo entre EUA e Irã é fechado e tem data para ser assinado, divulga Paquistão
Países estão em guerra desde 28 de fevereiro, mas tinham um acordo de cessar-fogo frágil assinado em 8 de abril; Paquistão tem sido o intermediador das negociações

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz, neste domingo (14), e devem assiná-lo ainda nesta semana. A informação foi divulgada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif — país intermediador durante as negociações de cessar-fogo.
Sharif publicou a notícia nas redes sociais. No texto, o primeiro-ministro informou, ainda, que o acordo deve ser assinado na próxima sexta-feira (19), em uma cerimônia oficial na Suíça.
"O acordo de paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã FOI ALCANÇADO. A cerimônia oficial de assinatura ocorrerá na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça", escreveu Shehbaz Sharif.
Acordo entre EUA e Irã estabelecerá 60 dias para 'negociações técnicas'
Na última sexta-feira (12), a CNN divulgou que o acordo que estava sendo negociado entre os países estipulava que, se assinado, daria início a um período 60 dias para "negociações ténicas".
Mesmo que o documento descreva uma série de compromissos essenciais que o Irã deve aceitar, um alto funcionário do governo de Donald Trump. indicou que as negociações de natureza altamente técnica se concentrarão em como implementar e executar esses pontos especificamente. O memorando de entendimento inclue tratativas como:
- A reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.
- O desmantelamento do programa nuclear iraniano, incluindo a transferência para os Estados Unidos do material enriquecido do Irã, que, segundo a autoridade, seria destruído no local e depois retirado do país.
- O Irã seria "aliviado de grande parte das pressões econômicas às quais esteve submetido por muitos e muitos anos", caso cumpra as disposições do acordo. "Esses benefícios só serão concedidos se eles realmente cumprirem o que foi acordado", afirmou o funcionário.
O último ponto, relacionado ao alívio econômico ao Irã, tem sido um dos principais impasses nas negociações entre os países. Uma outra autoridade estadunidense insistiu que qualquer flexibilização só ocorrerá após o Irã tomar medidas concretas para cumprir o acordo.
"Os iranianos não recebem nada no momento da assinatura do memorando de entendimento (MOU, na sigla em inglês) nem durante a própria negociação", disse a autoridade — acrescentando que o Irã receberá recompensas econômicas pelo "cumprimento de suas obrigações no âmbito do acordo".
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



