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Ativista sul-coreano envia arroz e dinheiro para Coreia do Norte ao jogar garrafas no oceano

Homem de 56 anos manda garrafas pet com arroz, pen drive e dinheiro para ajudar pessoas que passam fome na Coreia do Norte

Um ativista de 56 anos, Park Jung-oh atua na ilha de Saekomodo, na Coreia do Sul jogando no mar garrafas plásticas com arroz e, algumas, com dinheiro para chegarem até a Coreia do Norte. Ele realiza essa ação há mais de uma década, chegou a parar em 2020 e voltou a realizar o trabalho no dia 9 de abril.

A interrupção na ação de Jung-oh aconteceu porque, em 2020, o governo da Coreia do Sul proibiu o envio de material ‘anti-Coreia do Norte’ pela fronteira. “Enviamos as garrafas porque pessoas do mesmo país estão morrendo de fome. É tão ruim?”, esclareceu o ativista à BBC News. Contudo, a proibição foi revogada pelo Tribunal Constitucional.

Jung-oh nasceu na Coreia do Norte e deixou o país ditatorial há mais de 26 anos. O pai dele era um espião do Norte, mas que optou para fugir para o Sul com toda a família. O ativista relata que quando vivia na Coreia do Norte era comum ver corpos de pessoas que morreram de fome na rua.

O pontapé inicial para ele começar o projeto de enviar as garrafas foi quando ouviu de um missionário que viajava com frequência para China que soldados norte-coreanos desciam para província de Hwanghae na temporada de colheita e levavam os grãos. Enquanto viveu na Coreia do Norte, ele nunca tinha ficado sabendo que as pessoas morriam de fome na área produtora de arroz.

ONG Keun Saem

A missão de Jung-oh cresceu e, em 2015, ele e a esposa fundaram a organização Keun Saem em que uniam forças para enviar suprimentos em garrafas de plástico para província de Hwanghae. Na época, eles receberam apoio de navegadores locais e do Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia Oceânica para traçar uma estratégia para enviar as garrafas efetivamente.

Conforme os especialistas, nos dias em que a água está mais agitada, as garrafas podem chegar na Coreia do Norte em cerca de quatro horas.

Além do arroz, as garrafas também recebem um pendrive com músicas de K-pop, K-drama e com vídeos que comparam as duas Coreias. Algumas garrafas também recebem uma nota de U$ 1.

Relatos de famílias que receberam as garrafas

Apesar de não haver mais a proibição do envio dos itens, a partir de 2020 a população local e as autoridades ficaram mais resistentes em relação ao ativismo de Park Jung-oh. Igrejas e organizações que costumavam contribuir com a causa revogaram as doações, o que dificultou o trabalho do ativista. Contudo, mesmo com as adversidades, ele permanece atuando na causa.

Jung-oh já recebeu relatos que os itens realmente chegam a Hwanghae. “Uma vez ouvi que uma norte-coreana suspeitou do arroz na garrafa, preparou-o no vapor e o deu a um cachorro. Como o cachorro ficou bem, ela provou o arroz e achou a qualidade muito boa. Ela então o vendeu a um preço alto e comprou uma grande quantidade de produtos baratos, como milho”, relata Park.

Outra evidência de que o envio de arroz tem realmente surtido efeito foi quando uma família de nove pessoas desertou do Norte em 2023 e afirmou ter recebido as garrafas de outro desertor. Uma mulher, também desertora, já agradeceu Jung-oh por ter enviado os itens e salvo a vida dela.

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Ana Luisa Sales é estudante de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente escreve para as editorias entretenimento, curiosidades e cidades.
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