O opositor Alexei Navalny,
“Sabemos que o Estado russo usou essa toxina letal para atingir Navalny por medo de sua oposição”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores britânico em um comunicado conjunto com Suécia, França, Países Baixos e Alemanha, marcando o segundo aniversário da morte do crítico ferrenho do presidente russo.
O Reino Unido também afirmou ter denunciado a Rússia à Organização para a Proibição de Armas Químicas.
A morte
Navalny morreu no dia 16 de fevereiro de 2024 na prisão do Ártico, onde cumpria pena de 19 anos de prisão, segundo o Serviço Penitenciário Federal.
Um comunicado informou que ele se sentiu mal após uma caminhada e perdeu a consciência. Os médicos de um hospital no Norte da Rússia passaram mais de “meia hora” tentando reanimá-lo.
“Os médicos que chegaram à prisão prosseguiram com o protocolo de reanimação, que já havia sido aplicado pelos médicos da colônia penitenciária. Continuaram fazendo isso por mais de meia hora”, disse o Hospital de Labytnangi, uma cidade no Norte da Rússia, segundo a agência Interfax.
Navalny, principal figura da oposição russa, estava preso no país desde que decidiu regressar à Rússia em 2021 e cumpria pena há cerca de três anos. Segundo a agência norte-americana Associated Press, uma ambulância chegou para tentar reabilitá-lo, mas ele não resistiu.
A prisão, chamada de Lobo Polar, onde Navalny ficou preso, é considerada uma das mais difíceis da Rússia. A maioria dos prisioneiros que continua nela foi condenada por crimes graves.
Quem era Navalny
Alexei Navalny era um ex-advogado com fama de satirizar a elite do presidente Vladimir Putin e fazer acusações de corrupção. Em 2010, ele liderou o movimento contra Putin que levou milhares de pessoas às ruas do país.
Navalny era há muito tempo uma pedra no sapato de Putin, expondo a corrupção em altos cargos do governo da Rússia, fazendo campanha contra o partido no poder e orquestrando alguns dos maiores protestos antigovernamentais vistos nos últimos anos.
Ele retornou à Rússia em 2021 e foi rapidamente preso por acusações que rejeitou, dizendo que possuem motivação política. Ele foi preso desde então.
Os apoiadores de Navalny alegaram que a detenção e encarceramento foram uma tentativa politicamente motivada de reprimir as críticas a Putin.
A morte de Navalany aconteceu pouco antes das eleições presidenciais da Rússia, em 17 de março, onde Putin concorreou aou quinto mandato, em uma medida que poderá mantê-lo no poder até pelo menos 2030.
Manifestações
A prisão não abalou a determinação de Navalny. Nas últimas audiências e mensagens publicadas nas redes sociais por meio dos advogados, Navalny não deixou de criticar Putin, que descreveu como um “avô escondido em um bunker”, já que o presidente russo pouco aparece em público.
No processo por “extremismo”, ele criticou a “guerra mais estúpida e mais insensata do século XXI”, ao falar sobre ofensiva russa na Ucrânia.
Nas mensagens divulgadas nas redes sociais, ele ironizava as humilhações que sofria nas mãos dos agentes penitenciários.