Genética do vício: estudo pioneiro busca desvendar por que latino-americanos fumam

Estudos com europeus já mostraram que genética pode contribuir até 75% do risco de tabagismo

Pesquisa busca mapear fatores genéticos que influenciam risco de tabagismo em populações latino-americanas

Pesquisadores brasileiros e norte-americanos iniciaram um projeto inédito no Brasil e na América Latina para identificar variantes genéticas que influenciam o hábito de fumar, um comportamento complexo que, segundo a ciência, não pode ser explicado apenas por escolhas sociais.

Estudos anteriores já mostraram que a genética contribui entre 40% e 75% do risco de tabagismo, mas a maioria das pesquisas foi feita com populações de ascendência europeia, deixando de fora grande parte da diversidade genética latino-americana.

A iniciativa é coordenada por Rafaella Ormond, doutoranda da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em parceria com cientistas da Yale University. O objetivo é mapear a arquitetura genética do comportamento de fumar em populações latino-americanas, por meio de estudos de associação genômica ampla (GWAS, na sigla em inglês).

O projeto já reúne coortes de 12 países da região, incluindo o Brasil, e busca parceiros que tenham dados de genotipagem ou sequenciamento genético e informações fenotípicas ligadas ao tabagismo, como frequência de consumo, dependência à nicotina e outros fatores comportamentais e biológicos.

A proposta é desenvolver um plano de análise padronizado que permita harmonizar diferentes conjuntos de dados, levando em conta a diversidade genética característica das populações latino-americanas, resultado da mistura de ancestrais europeus, indígenas e africanos ao longo da história. Isso permitirá conduzir metanálises de GWAS e identificar variantes genéticas que possam ajudar a explicar comportamentos ligados ao tabagismo nesses grupos.

Segundo os cientistas, compreender a base genética do tabagismo em populações diversas pode levar a novas abordagens de prevenção, políticas de saúde pública e tratamentos personalizados, especialmente para grupos que até agora estiveram sub-representados em pesquisas globais.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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