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Suécia entra na OTAN e se torna mais um ‘vizinho’ de Putin aliado dos EUA em meio a guerra

A Rússia vê a fronteira cada vez mais dominada pela organização militar mais poderosa do mundo, que foi o estopim para a invasão da Ucrânia em 2022

O Parlamento da Hungria aprovou nesta segunda-feira (26), por uma maioria significativa, a adesão da Suécia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), eliminando o último obstáculo para a entrada do país escandinavo na aliança militar, criada pelos EUA.

Dessa forma, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, vê sua fronteira ao Leste cercada por países europeus que aderiram à cooperação militar mais poderosa do mundo - que foi um dos gatilhos para a invasão da Ucrânia em 2022. Muitos deles, faziam parte da antiga União Soviética.

A Finlândia, que também é “vizinha” russa, foi a última nação a entrar na OTAN, em 4 de abril de 2023, tornando-se o 31º membro da organização. A expansão é vista como uma “ameaça” pela Rússia.

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Desafios

A Suécia, que enfrentou desafios diplomáticos, obteve a aprovação unânime dos países membros da OTAN, incluindo a difícil negociação com a Turquia - uma das aliadas de Putin, ao lado da Hungria.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, que também cultiva boa relação com a Rússia, adiou a votação para o ingresso da Suécia na OTAN várias vezes.

Recentemente, o líder hungaro de extrema-direita elogiou a visita do primeiro-ministro sueco, Ulf Kristerson, ao país. Com a boa relação entre os líderes, o Parlamento da Hungria ratificou, nesta segunda-feira (26), a adesão da Suécia à OTAN.

O ingresso tem implicações geopolíticas significativas na região do Mar Báltico, cercando a Rússia com membros do tratado militar liderado pelos EUA.

Putin vs OTAN

As negociações, feitas pelo do governo do presidente Voldimir Zelensky, para a Ucrânia integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi o estopim para o presidente Vladimir Putin ordenar a invasão russa, em fevereiro de 2022.

Os EUA e a União Europeia são as principais forças militares do grupo. As normas da OTAN estabelecem que se um membro entrar em guerra, todos os outros aliados são automaticamente envolvidos.

Essa diretriz é vista pelo presidente Vladimir Putin como ameaça à soberania russa e provocou a guerra com a Ucrânia.

A Rússia sempre fez oposição à expansão da OTAN para o Leste Europeu. Em 1997, o país assinou o Acordo de Parceria para a Paz com o bloco, que reconhecia a organização como legítima e incluía um princípio de não-proliferação de armas nucleares entre as partes.

Os russos interpretaram o tratado como uma espécie de “promessa” de que a OTAN não expandiria a presença militar na região. No entanto, o bloco cresceu significativamente após o fim da Guerra Fria.

Em 2024, 26 países europeus já fazem parte da OTAN, incluindo diversos países do Leste Europeu - antes dominado pela União Soviética, antiga Rússia. É o caso da Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Polônia, Romênia, Letônia e Lituânia.

A cada expansão, a Rússia reagiu com críticas e medidas de retaliação. Mesmo sem a formalização da entrada da Ucrânia no bloco, Putin invadiu o vizinho, iniciando o conflito que já dura mais de dois anos.

Os EUA e a União Europeia tem ajudado financeiramente e militarmente o presidente Vlodimir Zelensky durante a guerra, mas não se envolvem diretamente nos combates.

Origem

A criação da OTAN foi uma iniciativa dos EUA em meio à Guerra Fria para impedir o avanço dos soviéticos para o Ocidente. A Noruega, que faz fronteira com a Rússia, faz parte do grupo desde a sua fundação, em 4 de abril de 1949.

Os países fundadores da OTAN - como França, Bélgica, Islândia, Reino Unido e Itália - temiam uma invasão comunista da União Soviética e viram a aliança militar como uma forma de garantir a segurança nacional.

O secretário de Estado dos EUA, George Marshall, propôs a criação do grupo em 1948. O plano de Marshall foi aceito pelos países da Europa Ocidental e o Tratado do Atlântico Norte foi assinado em 1949.

Até hoje, Os EUA lideram a OTAN em contribuições financeiras e militares.

Nesta segunda-feira (26), a Suécia seu tornou 32º membro do bloco - que também inclui países da Oceania, América do Norte e Ásia, sendo a aliança militar mais poderosa do mundo.

Promessa

A adesão da Ucrânia à OTAN era uma das promessas de campanha de Zelensky, em 2019. Após a vitória eleitoral, ele continuou a defender a proposta com o argumento de que o país precisava da proteção militar para se defender da Rússia.

Em 2020, a Ucrânia apresentou um pedido formal para se unir à OTAN. Com o aumento das tensões, Putin invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, sob a justificativa de “operação militar especial” para “desnazificar” e “desmilitarizar” a Ucrânia, antes da formalização da entrada.

Em um discurso, Zelensky acusou Putin de querer destruir a Ucrânia e restaurar a União Soviética na região.

A Finlândia e a Suécia, países tradicionalmente neutros nos conflitos locais, solicitaram a adesão à OTAN em resposta à invasão. Mais de 10 mil civis e 31 mil militares foram mortos na Ucrânia desde início da guerra com a Rússia, diz governo Zelensky.

Em 20 de maio de 2023, o parlamento ucraniano aprovou uma resolução que pedia formalmente para entrar na OTAN. No entanto, o bloco não decidiu se aceitará a proposta da Ucrânia em meio a guerra com a Rússia, que é a maior maior crise de segurança na Europa desde o fim da Guerra Fria.

A OTAN tem se recusado a enviar tropas para a Ucrânia com medo de provocar uma guerra direta com Putin.

*Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
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