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Pena de morte: entenda como é a técnica de asfixia por nitrogênio, usada pela primeira vez nos EUA

Um novo método de execução não era usado nos EUA desde 1982, quando começaram a aplicar a injeção letal

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Homem que sobreviveu a injeção letal foi executado pela primeira vez com método inédito nos EUA

Reprodução / Alabama Department of Corrections / Freepik

O estado do Alabama, nos Estados Unidos, executou, nessa quinta-feira (25), o prisioneiro Kenneth Eugene Smith por inalação de nitrogênio, método nunca usado no país e condenado pelas Nações Unidas, que o considera uma forma de tortura.

Como funciona a asfixia por nitrogênio?

O Alabama é um dos três estados do país que permitem as execuções por inalação de nitrogênio, nas quais a morte ocorre por hipóxia, ou falta de oxigênio. A hipóxia por nitrogênio utiliza o gás nitrogênio puro, ou gás nitrogênio em concentrações mais altas, sendo suficiente para tirar a vida de uma pessoa que tenha inalado, assim causando asfixia.

Segundo uma ONG norte-americana, o procedimento é autorizado como método de execução em sete estados, incluindo Alabama, Mississippi e Oklahoma. Apesar disso, apenas esses três especificaram o uso de nitrogênio para execução, e apenas o Alabama publicou um documento formal com o protocolo de execução para hipóxia de nitrogênio.

No caso de Smith, uma máscara semelhante às usadas em indústrias foi colocada no condenado. Ele ficou deitado na maca, sendo obrigado a inalar o gás, até seu que seu corpo ficasse sem oxigênio. O método envolve a substituição do ar respirado por um composto 100% por nitrogênio, o que priva o corpo de oxigênio necessário à sobrevivência.

Esta é a primeira que um novo método de execução é usado nos EUA desde 1982, quando começaram a aplicar a injeção letal. Pouco se sabe sobre o método, porque o protocolo publicado pelo estado contém redações que os especialistas dizem proteger os principais detalhes do escrutínio público, de acordo com a CNN.

Uma pesquisa recente do Instituto Gallup indicou que 53% dos americanos apoiam a pena de morte. A última execução com gás nos Estados Unidos aconteceu em 1999, quando foi administrado cianureto de hidrogênio a um condenado por homicídio. Em 2023, 24 execuções foram realizadas nos Estados Unidos, todas mediante injeção letal.

Relatos durante a execução

Em um relatório conjunto feito por cinco jornalistas que foram autorizados a acompanhar a execução, as testemunhas registaram que o prisioneiro pareceu consciente por vários minutos, começando a tremer na sequência.

“Esta noite, o Alabama fez com que a humanidade desse um passo para trás”, disse o homem antes da aplicação da pena. “Estou saindo com amor, paz e luz, obrigado por me apoiar, amo todos vocês”, acrescentou.

Quando questionado na coletiva de imprensa sobre o tremor de Smith durante o início da execução, Hamm disse que Smith parecia estar prendendo a respiração “o máximo que pôde” e também pode ter “lutado contra suas restrições”.

“Houve algum movimento involuntário e alguma respiração agonizante, então tudo isso era esperado e está nos efeitos colaterais que vimos e pesquisamos sobre a hipóxia por nitrogênio”, acrescentou Hamm.

“Portanto, nada estava fora do comum do que esperávamos.” A respiração agonal é geralmente descrita como uma espécie de respiração ofegante observada em pessoas que estão morrendo.

Outra testemunha, o conselheiro espiritual de Smith, que já havia expressado preocupação de que o método pudesse ser desumano, descreveu a morte em termos mais explícitos, dizendo que foi “a coisa mais horrível que já vi”.

Smith, usando uma máscara através da qual o nitrogênio era administrado, teve convulsões quando o gás foi ligado, “subiu na maca” repetidamente e ofegou, disse o reverendo Jeff Hood.

“Um mal inacreditável foi desencadeado esta noite”, disse Hood. Um dos filhos da vítima, Elizabeth Sennett, disse que a morte de Smith trouxe justiça para sua mãe.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia da Itatiaia. Comunicativa e ligada as redes sociais, entretenimento e cidades.
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