Um aluno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciou, na última quarta-feira (28), que é candidato à presidência do Congo, país localizado na África Central. Louison Mbombo tem 27 anos, é congolês, e já recebeu diversos prêmios por projetos relacionados ao combate à malária.
As candidaturas serão oficializadas na próxima segunda-feira (10) e as eleições ocorrem no dia 20 de dezembro. Mbombo disputa o executivo do país com Félix Tshisekedi, atual presidente do Congo. Além de tentar o cargo da presidência, Mbombo concorre, também, como deputado nacional de Lukunga, estado congolês onde reside.
“Um deputado nacional atua como membro da Assembleia Nacional, que é o órgão legislativo do país. Os deputados nacionais são responsáveis por fazer e aprovar leis, representar os interesses e preocupações de seus constituintes e participar de debates e discussões sobre questões de importância nacional. Eles também têm o poder de propor e apoiar a legislação, fiscalizar as ações do poder executivo e defender as necessidades de seus constituintes. Embora o presidente detenha o mais alto cargo de autoridade, o papel de um deputado nacional é igualmente importante para assegurar a governação democrática e a representação dos interesses do povo”, Mbombo explica a diferença entre os dois cargos pelos quais concorre, em entrevista exclusiva à Itatiaia.
Trajetória acadêmica, pessoal e profissional
Louison Mbombo se mudou para o Brasil em 2013, devido a uma instabilidade política no Congo. Durante seu tempo em território brasileiro, ele criou a ONG Solidariedade na Mokili, que trabalha no combate à malária e melhoria da condição de vida dos congoleses.
Em 2015 ele ingressou no curso de medicina na UFMG, seguindo os passos do pai, que foi dono de um hospital no Congo. Neste ano Mbombo passou a integrar a lista da União Europeia dos 15 jovens líderes mais influentes do mundo.
Quatro anos depois, Mbombo recebeu o prêmio de Melhor Inovação Humanitária 2019 da The Dutch Coalition for Humanitarian Innovation (DCHI), por seus trabalhos em busca da erradicação da malária no Congo. Em sua pesquisa, o estudante usou ferramentas de inteligência artificial da Microsoft e do Google, desenvolvendo um software de análise e apresentação de dados sobre a doença no país.
A pesquisa da Mbombo ajudou a criar políticas públicas de prevenção de surtos e elaboração de estratégias de intervenção contra a Malária, doença que afeta mais de 25 milhões de pessoas no Congo.
“Minha trajetória médica tem sido uma fonte significativa de inspiração para minha decisão de exercer um cargo político em meu país. Ao longo da minha carreira como profissional de saúde, testemunhei em primeira mão os desafios e as deficiências do nosso sistema de saúde. Essas experiências alimentaram minha determinação de trazer mudanças significativas e defender políticas que priorizem o bem-estar de nossos cidadãos. Estou convencido de que, combinando meu conhecimento médico com minha paixão por servir ao público, posso fazer uma diferença tangível na vida das pessoas e na saúde geral de nossa nação”, conta Mbombo.
Candidatura à presidência
Além de focar na questão de saúde pública, Louison Mbombo cita também que pretende lutar pelo fim dos conflitos armados no leste do país e combater a corrupção. Ele cita, ainda, foco em desenvolvimento econômico e atrair investimentos estrangeiros para o Congo.
“Além disso, sou um defensor da justiça social e da igualdade. É imperativo que abordemos as várias formas de discriminação prevalentes em nossa sociedade, incluindo desigualdade de gênero, divisões étnicas e disparidades no acesso à educação e à saúde. Por fim, sou apaixonado pela conservação ambiental e pelo desenvolvimento sustentável. Proteger nossos recursos naturais, combater as mudanças climáticas e promover energia renovável são pilares fundamentais da minha candidatura”, conta o estudante de medicina.
Mbombo também se disse confiante que as eleições deste ano terão uma alta participação dos cidadãos e será transparente e justa.
“Acredito firmemente no poder da democracia e na capacidade do povo congolês de escolher seus líderes por meio de eleições livres e justas. Espero que o processo eleitoral seja transparente, inclusivo e conduzido de acordo com os princípios da democracia. Espero ver uma eleição pacífica e ordeira, com todos os candidatos e seus simpatizantes respeitando o processo eleitoral e aceitando a vontade do povo”.