A Polícia Civil concluiu, nesta quinta-feira (5), o inquérito que investigou a morte de uma mulher de 42 anos durante um procedimento estético realizado em uma clínica na Avenida José Corrêa Machado, no bairro Melo, em Montes Claros, no Norte de Minas. Segundo a Delegacia de Homicídios, a apuração identificou uma série de falhas graves que não se enquadram como erro médico.
A vítima, Simone Martins Soares, natural de Porteirinha e esteticista, sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto realizava uma mini lipo. A Polícia Militar e o SAMU foram acionados após a paciente apresentar sinais de cianose e evoluir para a parada.
De acordo com informações do SAMU, ao chegar à clínica, a equipe encontrou uma médica de 28 anos e um auxiliar realizando manobras de ressuscitação. Os socorristas assumiram o atendimento e realizaram sete ciclos de reanimação durante cerca de 20 minutos, mas o óbito foi confirmado no início da noite.
A delegada de Homicídios, Francielle Drumond, afirmou que o procedimento foi realizado em um ambiente sem estrutura adequada. - “Houve uma série de erros graves, que não são considerados erro médico. O primeiro deles é que o estabelecimento não possuía suporte adequado para a realização de um procedimento desse porte, nem equipamentos compatíveis com a complexidade da intervenção, "- esclareceu.
Nas investigações também foi identificada a utilização de anestesia de uso restrito ao ambiente hospitalar. - “Foi utilizado o propofol, uma anestesia de uso restrito a unidades hospitalares, que exige, obrigatoriamente, a presença de um médico anestesista, o que não ocorreu neste caso. O laudo pericial apontou que a vítima sofreu uma perfuração da artéria femoral durante o procedimento, o que provocou a parada cardiorrespiratória e, consequentemente, o óbito., acrescentou a delegada.”
A médica responsável pelo procedimento não possuía especialização na área. - “A médica não tinha especialização para realizar esse tipo de procedimento. O que foi apurado é que ela estava apenas com uma pós-graduação em andamento.”
Outro ponto destacado, segundo a delegada, foi a falha no socorro prestado à vítima”, pontuou. Para Francielle, houve negligência na prestação do socorro. O próprio SAMU relatou dificuldades de acesso ao local onde a paciente se encontrava, o que comprometeu o atendimento.
Com a conclusão do inquérito, a médica foi indiciada por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, ocorre quando a pessoa não deseja diretamente o resultado morte, mas assume o risco de que ele aconteça. A médica vai responder ao processo em liberdade, com uma pena que varia de seis a vinte anos de reclusão