Mais de 400 comerciantes no Centro e em bairros comerciais de diferentes regiões foram afetados pelas chuvas que atingiram Juiz de Fora no fim de fevereiro. Agora, precisam de apoio para recomeçar, principalmente os pequenos e médios empresários.
Este é o principal ponto do Relatório de Impacto Econômico elaborado pelo Sindicato Empresarial do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio JF). O levantamento contou com 277 respostas de empresários e comerciantes, que relataram danos estruturais, prejuízos financeiros e desafios enfrentados após os temporais.
“Existe uma necessidade de muitos empresários poderem reerguer as suas empresas com linhas de crédito mais em conta. São muitas cidades atingidas, não do Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá, então estamos nesse aguardo”, disse o presidente do Sindicomércio JF, Emerson Beloti.
De acordo com os dados do relatório, 60% dos estabelecimentos sofreram danos graves, com a água atingindo estoques, móveis e equipamentos. Outros 12,7% registraram danos leves, enquanto 3,6% relataram perda total ou comprometimento estrutural do imóvel.
Além dos danos físicos, o impacto financeiro também é significativo. O levantamento aponta que 63,6% dos comerciantes estimam prejuízos de até R$ 50 mil, enquanto 14,5% relatam perdas entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.
Diante destes fatos, Beloti reitera que apoio Federal e Estadual é essencial para a retomada do comércio local.
“Os empresários pequenos e médios precisam desse apoio das linhas de crédito tanto Estadual, quanto federal para que possam reerguer seus negócios, com juros baixos ou quase nada, é isso que nós estamos esperando”, finalizou.
Pequenas empresas concentram os maiores impactos
O perfil da pesquisa mostra que 81,5% dos negócios afetados são empresas de pequeno porte, predominando estabelecimentos do setor de varejo, que representam 75,9% da amostra.
Outro dado relevante apontado pelo relatório é a vulnerabilidade financeira das empresas. Segundo o estudo, 81,8% dos comerciantes não possuem seguro empresarial, o que dificulta a recuperação após eventos climáticos extremos.
Além disso, 83,6% dos estabelecimentos funcionam em imóveis alugados, fator que aumenta os riscos financeiros e a pressão sobre os empresários durante o processo de recuperação das atividades.
Outras demandas relevantes
Além do crédito emergencial citado por Emerson, demandas como orientação jurídica para lidar com prejuízos e contratos (10,9%), reforço na segurança e policiamento (9,1%), apoio para retirada de entulho (7,3%) e fornecimento de equipamentos e materiais de limpeza (5,5%).
O relatório também alerta para um cenário preocupante caso medidas emergenciais não sejam adotadas rapidamente. De acordo com os dados:
• 40% dos empresários apontam risco de endividamento severo
• 18,2% podem reduzir suas operações
• 16,4% indicam risco de fechamento das empresas
• 14,5% afirmam que podem realizar demissões
Somados, os indicadores mostram que cerca de 30% dos negócios já apresentam risco direto de ruptura, considerando fechamento ou demissões.
Recomendações e ações emergenciais
Com base nos resultados da pesquisa, o relatório sugere uma série de ações prioritárias para mitigar os impactos no comércio, entre elas:
• criação de linhas de crédito emergenciais para capital de giro
• mutirões de orientação jurídica e contábil aos empresários
• apoio operacional para limpeza urbana e retirada de entulho
• postergacão tributária e renegociação de dívidas
• desenvolvimento de planos de resiliência para áreas mais vulneráveis da cidade.
O relatório foi elaborado pelo Sindicomércio JF com base em um formulário digital aplicado ao comércio local e tem como objetivo subsidiar decisões públicas e privadas voltadas à recuperação econômica do setor após as enchentes.
*Escrita por Michel Santos sob supervisão de Roberta Oliveira
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