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Rota do Tropeiro: entre famílias e bares, prato é 'comida de encontro' em BH

Terceiro episódio da série especial da Itatiaia e do Oncêvai mostra como o feijão tropeiro está presente em momentos de convivência nos bares da capital mineira

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À esquerda, Rayan Taylor, do Bar do Prefeito, e à direita Nelson Vieira, do Bar do Valle • Luiza Rocha | Itatiaia

O feijão tropeiro está presente em alguns dos momentos mais comuns da vida dos mineiros. Seja em um almoço de família ou em um boteco movimentado, o prato tem lugar garantido na rotina do povo de Minas Gerais. Em diferentes regiões de Belo Horizonte, ele se transformou em ponto de encontro, tradição e motivo para reunir amigos em volta da mesa.

No terceiro episódio da série especial "Rota do Tropeiro - Feijão, Farinha e História", produzida pela Itatiaia em parceria com o Oncêvai, a reportagem mostra como o feijão tropeiro se tornou um símbolo de convivência e afetividade na capital mineira.

A receita que acompanha a vida da comunidade

No Aglomerado da Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, o Bar do Prefeito transformou o feijão tropeiro em uma das principais atrações dos almoços de sábado. O proprietário do estabelecimento, Rayan Taylor, conta que a receita servida no local foi herdada da família e passou por adaptações ao longo dos anos. 

"Minha avó me ensinou de uma forma, e a gente foi adaptando. Antigamente usávamos o feijão carioca. Hoje eu uso o feijão roxinho. Acho ele mais consistente e firme. Para o tropeiro, ele fica melhor e ajuda a dar esse aspecto mais molhadinho", explica sobre o modo de preparo.

Prato de feijão tropeiro do Bar do Prefeito • Luiza Rocha | Itatiaia
Prato de feijão tropeiro do Bar do Prefeito • Luiza Rocha | Itatiaia

Segundo Rayan, essa característica é justamente um dos diferenciais da casa. "O tropeiro já tem fama de ser muito seco. Para mim, o nosso aqui tem que ser molhadinho. Esse é o nosso segredo", conta.

O prato também deu origem a uma criação que reúne duas paixões dos clientes: o tropeiro e a feijoada. A solução encontrada foi unir os dois preparos em uma mesma refeição.

Muita gente ficava na dúvida se comia feijão tropeiro ou feijoada. Então a gente resolveu criar um híbrido. Colocamos uma orelhinha de porco e um pouquinho de tropeiro para juntar os dois mundos.

Rayan Taylor, sobre a receita especial de tropeiro do Bar do Prefeito

 

Encontros marcados para comer um bom tropeiro

Para o morador do Aglomerado da Serra, Léo "Bolota", o feijão tropeiro faz parte da rotina da comunidade e aparece em diferentes momentos de convivência.

"Acabou o culto, tem feijão tropeiro. Acabou o futebol, tem feijão tropeiro no boteco. Tem feijão tropeiro em casa. Domingo tem frango assado, macarrão e feijão tropeiro. Ele está sempre presente na mesa", resume.

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Na estufa sempre tem tropeiro

Outro exemplo da popularidade do prato está no Bar do Valle, no bairro Sion. Por lá, o tropeiro fica disponível praticamente durante todo o horário de funcionamento da casa.

"Temos tropeiro todos os dias, das 6h da manhã até as 23h. Desde que chegamos ao Bar do Valle já existia essa tradição", afirma Nelson Vieira, co-proprietário.

Segundo ele, a procura é constante e envolve diferentes perfis de clientes. "Tem trabalhador que chega cedo e já quer tomar café da manhã com um tropeiro. Se faltar na estufa, faz falta para o bairro", diz.

Além da receita tradicional, a casa também cultiva um costume que conquistou a clientela: servir o prato acompanhado de molho de maçã de peito.

Prato de feijão tropeiro do Bar do Valle é regado pelo caldo da carne 'maçã de peito' • Luiza Rocha | Itatiaia
Prato de feijão tropeiro do Bar do Valle é regado pelo caldo da carne 'maçã de peito' • Luiza Rocha | Itatiaia

"Eu via o pessoal perguntar para os clientes se aceitavam o molho da maçã de peito. Passei a fazer a mesma coisa e os clientes gostam. É o toque final", explica.

Série especial 

A série especial "Rota do Tropeiro - Feijão, Farinha e História" mostra como o prato está presente em diferentes manifestações culturais e gastronômicas do estado. A reportagem foi em busca de histórias, personagens e tradições que ajudam a explicar por que o feijão tropeiro se tornou um dos maiores símbolos de Minas Gerais.

Os conteúdos serão publicados no site e nas redes sociais da Itatiaia e do Oncêvai.

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Ana Luiza Pereira é jornalista formada pela PUC Minas. Repórter multimídia na Itatiaia, possui experiência em rádio, televisão, portal e redes sociais. Atua na produção de conteúdo para as plataformas digitais e colabora com as editorias de Entretenimento e Esporte. Acumula passagens anteriores pela TV Horizonte, Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão.

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Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, é repórter da Itatiaia desde abril de 2023, na equipe de redes sociais. Já passou pela redação do jornal Estado de Minas e assessoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tem experiência principalmente em vídeos, podcasts e reportagens multimídia.

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Somos Bernardo e Renata, o primeiro casal a ter uma coluna de rádio sobre gastronomia no Brasil. Apaixonados por boa comida, viagens, histórias e rolês, criamos em 2016 o Oncêvai, perfil para compilar nossas vivências na capital mineira e outros lugares que visitamos. Aqui falamos de eventos gratuitos em BH e promovemos a nossa forte cultura gastronômica.