Review - Mario Tennis Fever ‘acerta o saque’ no Switch 2 e chega como grata surpresa

Game aposta em variedade de modos, nostalgia e boas ideias para entregar uma das experiências esportivas mais completas da geração

Mario Tennis Fever já está disponível para Nintendo Switch 2

Muito além do kart, Mario já mostrou ao longo das décadas que se sente à vontade em praticamente qualquer modalidade esportiva. Entre todas essas experiências, poucas tiveram tanto impacto quanto o tênis. Em 2026, Mario Tennis Fever chegou ao Nintendo Switch 2 com a missão de recuperar o prestígio da série e, ao mesmo tempo, justificar seu espaço na nova geração.

A Itatiaia teve acesso ao jogo na versão de Nintendo Switch 2, e após várias horas em quadra, a sensação é clara: Mario Tennis Fever entrega um pacote robusto, divertido e versátil, especialmente quando jogado em grupo, mesmo com algumas escolhas que podem dividir opiniões.

Gameplay acessível, mas com profundidade

O ponto mais forte de Mario Tennis Fever está na forma como ele equilibra acessibilidade e profundidade. Qualquer pessoa consegue pegar o controle e trocar bolas rapidamente, mas dominar os diferentes tipos de rebatidas, posicionamento e leitura de jogo exige prática.

A jogabilidade segue a linha arcade consagrada da franquia, com partidas rápidas, ritmo intenso e respostas precisas aos comandos. Ainda assim, o jogo oferece espaço para quem quer ir além do básico, principalmente nos níveis mais altos de dificuldade e nos desafios específicos.

Gameplay rápida é um dos destaques de Mario Tennis Fever

Modo Aventura: divertido, mas não essencial

O modo Aventura funciona como a campanha do jogo e traz uma proposta curiosa. A história gira em torno do grupo principal de personagens que acaba transformado novamente em bebês e precisa treinar para enfrentar o inimigo e recuperar sua forma original — uma premissa que lembra bastante a lógica de Dragon Ball Daima, com foco em evolução, treinamento e superação.

Luigi, Peach, Mario, Wario e Waluigi são transformados em bebês no game

Na prática, o modo cumpre bem seu papel de apresentar as mecânicas. No entanto, a primeira metade da jornada pode se tornar monótona, especialmente para quem já tem familiaridade com jogos de tênis do Mario. Há uma sensação clara de tutorial estendido, com desafios mais simples e ritmo previsível.

A segunda metade, porém, melhora consideravelmente. Novas atividades, desafios variados e ideias mais criativas entram em cena, tornando a experiência mais dinâmica e coerente dentro da proposta narrativa. No geral, o modo Aventura é competente e divertido, mas dificilmente será o principal atrativo para a maioria do público.

Raquetes especiais mudam a dinâmica das partidas

Uma das grandes novidades de Mario Tennis Fever é o sistema de raquetes com poderes especiais. Cada modelo oferece habilidades diferentes, que podem alterar completamente o andamento de uma partida — seja com efeitos elementais, mudanças na trajetória da bola ou vantagens momentâneas.

Esse sistema adiciona camadas estratégicas interessantes e deixa os confrontos mais imprevisíveis. Ao mesmo tempo, pode gerar situações caóticas, em que o resultado não depende apenas da técnica, mas também do uso correto (ou exagerado) desses poderes. É um recurso que funciona muito bem no multiplayer casual, mas pode não agradar quem busca partidas mais equilibradas.

Efeitos das raquetes são ‘trunfo’ de Mario Tennis Fever

Multiplayer é onde o jogo realmente brilha

Como já é tradição na série, Mario Tennis Fever ganha outra dimensão quando jogado com amigos. Os modos locais oferecem diversas variações, desde partidas clássicas até gincanas e desafios alternativos, que mudam regras, quadras e objetivos.

O modo Gincanas, em especial, se destaca pela criatividade e pela diversidade de propostas, trazendo desafios que vão além do simples “ganhar pontos”. É o tipo de experiência ideal para sessões rápidas e descontraídas.

Modo Realista resgata a nostalgia do Wii

O modo Realista utiliza os sensores de movimento dos Joy-Cons, transformando o controle em uma espécie de raquete virtual. A sensação remete diretamente aos tempos de Nintendo Wii, o que traz um forte apelo nostálgico.

Apesar de divertido, o modo exige adaptação. Controlar efeitos como topspin, slices e deixadinhas é mais difícil do que no esquema tradicional, o que pode afastar quem busca precisão. Ainda assim, é uma adição bem-vinda, especialmente para jogatinas casuais e momentos mais descontraídos.

Conteúdo variado e apresentação sólida

Mario Tennis Fever oferece uma grande quantidade de personagens jogáveis, quadras variadas e modos distintos. Visualmente, o jogo se beneficia do Switch 2, com animações fluidas, cenários coloridos e identidade visual bem definida.

Quadras de Mario Tennis Fever se aproveitam da qualidade gráfica do Switch 2

A localização em português brasileiro também merece destaque, contribuindo para uma experiência mais acessível e alinhada ao público nacional.

Vale a pena?

Mario Tennis Fever não tenta reinventar o gênero, mas entende muito bem o que a série sempre fez de melhor. O jogo entrega variedade, diversão imediata e um multiplayer forte, com boas ideias que renovam a fórmula sem descaracterizá-la.

O modo Aventura diverte, mas não é o grande foco. As raquetes especiais trazem frescor, o modo Realista resgata a nostalgia e o multiplayer garante longevidade. No fim das contas, é um título que reforça o peso da franquia e se posiciona como uma das experiências esportivas mais completas do início da vida do Nintendo Switch 2.

Nota: 4,7/5

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta dos e-sports

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