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Musculação integra tratamento da obesidade e melhora funcionamento do organismo

Estudos em fisiologia do exercício indicam que a musculação auxilia no controle dos níveis de açúcar no sangue

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Exercício de leg press 45 em imagem de divulgação da Smart Fit
Exercício de leg press 45 em imagem de divulgação da Smart Fit • Divulgação/Smart Fit

O treinamento de força foi incorporado como estratégia terapêutica no tratamento da obesidade ao lado de mudanças alimentares. A abordagem busca melhorar o funcionamento do organismo além da perda de peso. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que aproximadamente 890 milhões de adultos no mundo vivem com obesidade, o que representa uma em cada oito pessoas no planeta.

A mudança ocorreu a partir da compreensão de que o treino de força atua em mecanismos ligados à obesidade. Estudos em fisiologia do exercício indicam que a musculação auxilia no controle dos níveis de açúcar no sangue. A massa muscular demanda mais energia para manutenção, resultando em maior gasto energético corporal, inclusive em repouso.

"Antes, o foco era o gasto calórico durante o exercício, o que favorecia atividades aeróbicas. Hoje sabemos que a musculação provoca adaptações metabólicas importantes", afirma Lucas Florêncio, treinador da Smart Fit.

Mecanismos metabólicos do treinamento de força

A musculação gera adaptações metabólicas que atuam em mecanismos relacionados à obesidade, incluindo a resistência à insulina. Conforme aumenta a quantidade de massa muscular, o corpo passa a gastar mais energia.

"A musculação melhora a ação de hormônios como leptina e insulina e estimula a biogênese mitocondrial. Na prática, o músculo passa a captar mais glicose, funcionando como um 'ralo' para o açúcar no sangue, o que é fundamental nesse contexto", explica Florêncio.

O metabolismo permanece elevado por até 48 horas após o treino. "O músculo é um tecido metabolicamente caro. Cada quilo a mais de massa muscular eleva a taxa metabólica basal. Além disso, há o efeito do pós-treino, com aumento do consumo de oxigênio que mantém o metabolismo elevado por até 48 horas", detalha o treinador.

Equívocos sobre emagrecimento

O treinador da Smart Fit aponta erros comuns na abordagem do tratamento da obesidade. "Dizer que a pessoa precisa emagrecer com aeróbico antes de começar a musculação é um erro fisiológico. O déficit calórico sem treino de força leva à perda de massa magra, reduz o metabolismo e favorece o efeito sanfona", afirma Florêncio.

O treino de força afeta a capacidade de realizar tarefas cotidianas. Pessoas com obesidade apresentam menor força em relação ao próprio peso corporal. A musculação contribui para aumentar essa força funcional, facilitando atividades como subir escadas, levantar da cadeira ou carregar objetos.

Adaptação e segurança no treinamento

O treinamento deve ser adaptado às condições individuais para garantir segurança. Em pessoas com obesidade, o cuidado com as articulações e a progressão de carga é essencial.

"O uso de máquinas pode ser estratégico no início, porque permite controlar a carga sem depender do peso corporal. O volume deve ser progressivo para evitar sobrecarga", explica Florêncio.

O protocolo de treino sugerido por Lucas Florêncio contempla leg press horizontal com quatro séries de 12 a 15 repetições. O exercício tem como objetivo proporcionar estabilidade articular para membros inferiores com controle de carga.

A puxada em máquina articulada foi estabelecida com três séries de 12 repetições. O exercício foi escolhido pelo recrutamento de grandes grupos musculares, resultando em alto gasto calórico.

O supino em máquina inclinado articulado foi definido com três séries de 12 repetições. O movimento oferece segurança para o ombro e controle da pressão arterial sistólica.

A cadeira flexora foi programada com três séries de 15 repetições. O movimento visa o isolamento de isquiotibiais para proteção dos joelhos.

A remada curvada fechada com halter foi programada com três séries de 12 repetições. O exercício tem como foco o fortalecimento da postura e expansão torácica.

O treino inclui 15 minutos de cardio ao final da sessão. A atividade aeróbica de baixo impacto pós-treino foi planejada para trabalhar na zona 2 de queima.

O protocolo combina exercícios em máquinas articuladas e com pesos livres. A seleção dos equipamentos considerou a necessidade de controle de carga e proteção articular durante a execução dos movimentos.

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