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Proibição das bets: como Premier League limitou patrocínios e o que dizem especialistas

Medidas foram acordadas pelos próprios clubes ingleses e entraram em vigor na atual temporada; Brasil tem cenário diferente e mais complexo

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Troféu da Premier League, o Campeonato Inglês
Troféu da Premier League, o Campeonato Inglês • Divulgação/Premier League

A Premier League é tida como a principal liga de futebol do mundo. Gerida de forma independente pelos clubes, o campeonato não tem mais patrocínios de casas de aposta. A decisão, acordada há três anos, passou a valer na atual temporada.

A discussão entra novamente em evidência após o presidente Lula (PT) anunciar, nesta sexta-feira (25), a proibição do funcionamento de casas de apostas esportivas no Brasil.

Como foi feito na Inglaterra

A principal diferença é que a decisão da proibição do patrocínio de casas de apostas partiu dos próprios clubes. Em 2023, 18 dos 20 clubes que estavam na elite do futebol inglês votaram pelo fim dos patrocínios.

A restrição não é absoluta. As casas de apostas podem patrocinar espaços menores nas camisas como as mangas, camisas de treinos e propriedades digitais dentro do estádio.

Segundo a imprensa inglesa, no entanto, não houve prejuízos financeiros com a medida. A estimativa inicial era de uma redução em até 80 milhões de libras (cerca de R$ 550 milhões).

No entanto, o cenário foi diferente: os clubes conseguiram acordos com empresas de outros segmentos (financeiro e tecnologia). Houve um aumento de 8% nas receitas envolvendo os patrocínios principais das camisas.

Caminho no Brasil

A decisão do governo brasileiro atinge diretamente os clubes de futebol, que atualmente mantêm diversos contratos comerciais com casas de apostas. Segundo levantamento da consultoria Convocados, as empresas do setor investem cerca de R$ 1,03 bilhão por ano em patrocínios na Série A do Campeonato Brasileiro.

Além disso, há investimentos consideráveis em outros clubes, modalidades esportivas e propriedades comerciais, como os direitos de nome (naming rights) de estádios e competições.

Nos últimos dias, diversos clubes brasileiros se manifestaram diante do cenário. As instituições defendem a manutenção e a regulamentação do setor, em vez do encerramento das atividades.

O que dizem especialistas

Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de apostas. Contrário à medida, o especialista classificou a decisão como algo "sem precedentes" no Brasil.

"É uma situação sem precedentes na história do país. Um desrespeito sem igual à segurança jurídica e à atividade empresarial. Eu nunca vi, nem quando Dutra, em 1946, suspendeu os cassinos, você viu uma coisa tão arbitrária, um descumprimento e uma alteração do negócio jurídico, da atividade empresarial autorizada pelo Estado", declarou

Amir Somoggi, sócio-fundador da Sports Value e especialista em marketing e gestão esportiva, defende a proibição completa. O especialista afirma que, apesar do impacto financeiro incial, haverá a substituição por outros segmentos empresariais.

"Todos os mercados que limitaram a bet sofreram no primeiro momento, porque é um dinheiro fácil, com contratos muito valiosos. Na Espanha, por exemplo, a receita de patrocínio caiu 30%, mas outras marcas cobriram essa perda. No Brasil, aconteceria o mesmo - você perde a bet, mas tem veículos, plano de saúde, bancos, varejo", disse em entrevista ao UOL.

César Grafietti, economista e consultor de gestão e finanças do esporte, a situação do Brasil é diferente pela necessidade de ser algo imposto. O profissional defende uma transição gradual, já que considera que os clubes, atualmente, não conseguem lidar com a proibição .

"Eu não imagino, por exemplo, o Flamengo, com mais de R$ 200 milhões de receita, levantando a bandeira para pedir a proibição dos patrocínios. Deveria ser um caminho pelo legislativo", comentou em entrevista ao UOL.

"Isso (proibição) deveria ter sido pensado lá atrás. É possível fazer uma construção gradual cortando primeiro patrocínio e publicidade online, depois de TV e só então chegando aos clubes, num processo de 18, 24 ou 36 meses, para que a indústria e quem recebe os patrocínios se adequem. Do ponto de vista de os clubes estarem preparados para lidar com essa restrição, neste momento, não estão", finaliza.

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Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.

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