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Antes do Palmeiras, Estêvão brilhou no futsal e ‘parou’ cidade de Minas; veja vídeo raro

Ainda criança, joia alviverde se destacava com dribles e chutes precisos com a perna esquerda, em um ensaio do que viria a ser na elite do futebol

Estêvão recebe a bola, finta o marcador e dispara um chute preciso com a perna esquerda, sem chances para o goleiro rival. A bola estufa a rede, e o garoto parte para a comemoração. A cena é um raro registro do nascimento de uma joia, que hoje brilha com a camisa do Palmeiras. Mas que, antes de atrair a atenção de um gigante do futebol brasileiro e virar alvo de gigantes da Europa, teve seus momentos de destaque dentro das quadras de futsal e chegou a “parar” uma pequena cidade no Sul de Minas Gerais.

Esse fragmento da história de Estêvão tem como primeiro cenário Belo Horizonte. O garoto, aos nove anos, já vivia na cidade e integrava a categoria de base do Cruzeiro, começando a ganhar fama como Messinho. Ao mesmo tempo, ele jogava futsal e estudava no Colégio Batista.

Ali, estava o início de um sonho se materializando. Estêvão é natural de Franca, no interior de São Paulo, e deixou a cidade junto ao pai Ivo, a mãe Hetiene e a irmã mais nova Esther para tentar um futuro no esporte, aos oito anos. Estava no pés dele o peso de mudar o rumo de uma família.

Inerente ao tamanho da responsabilidade, Estêvão se destacou em uma edição da Copa Trivela, defendendo a sua escola, e chamou a atenção do treinador Marcos Luiz Franco, hoje com 41 anos. Ele, então, convidou o menino franzino para integrar o seu time, o Esportes Elite, de Pedro Leopoldo, na Grande Belo Horizonte.

“Terminou a partida, eu entrei em contato com o pai e disse que ele seria bem-vindo à nossa equipe. Isso foi em 2015", recorda Marcos.

A cidade “parou”

O convite de Marcos foi aceito pelo pai de Estêvão, e o menino precoce virou uma espécie de reforço de peso da equipe para as competições.

Por conta da rotina que já tinha no Cruzeiro e no colégio, ele pouco treinava no Esportes Elite. Era chegar para jogar mesmo, como quem sabe que daria conta do recado.

Assim, Estêvão foi a principal estrela da equipe em duas edições do Encontro Brasileiro de Futsal, em 2016 e 2017.

Na primeira participação, foi logo campeão. O torneio foi disputado em Itajubá, sul de Minas Gerais. Estêvão integrou o sub-9.

Na temporada seguinte, o garoto subiu de categoria e passou a jogar no sub-11, chegando em Alpinópolis, também no Sul do estado mineiro.

“Ele destruía. Ele estava no sub-11, sempre uma categoria acima (da idade). Parou a cidade. Todo mundo ia para o ginásio para ver ele”, declarou Daniel David, organizador da competição que nasceu em 1998 e continua ativa.

Gols, dribles e fotos

Em Alpinópolis, cidade com pouco mais de 18 mil habitantes, a fama de Estêvão começou a ganhar as ruas. No boca a boca, as pessoas passaram a ir para o ginásio municipal para acompanhar os jogos daquele talento precoce.

Na medida que os jogos avançavam, Estêvão chamava mais atenção até que ele chegou, novamente, na final do torneio, mas, dessa vez, perdeu a grande decisão.

Segundo o treinador Marcos Luiz, a equipe rival trouxe um menino acima da idade para poder parar a joia. Quando descobriram, já era tarde demais para protestar pelo resultado.

Independentemente da medalha que colocou no peito, Estêvão passou a ser assediado e posou para fotos. Uma delas, foi com o então secretários de esportes de Alpinópolis, Alex Cavalcante.

“Esse menino quando jogou aqui em Alpinópolis, ele chamou muita atenção. É, realmente, um menino iluminado, com o dom de jogar futebol”, recorda Alex.

“Eu senti uma energia tão positiva nessa foto... tive a sensação que eu estava carregando o novo rei do futebol. Isso lá em 2017, eu tive a sensação que tinha alguém muito abençoado ali nos meus braços”, acrescenta.

O treinador Marcos Luiz também se recorda do assédio ao garoto até mesmo no hotel.

“Lá em Alpinópolis, como a cidade era menor, foi uma coisa... todo mundo queria tirar uma foto”, lembra.

“No próprio hotel, os funcionários chegavam e pediam para tirar foto. Era dito como o ‘novo Neymar’”, acrescenta Marcos.

No ano seguinte, o “novo Neymar” superaria o verdadeiro Neymar e se tornaria o atleta mais jovem a assinar um contrato com a Nike, fornecedora de material esportivo.

Com dez anos, Estêvão entrava para a galeria de atletas patrocinados da multinacional em mais um sinal de que, de fato, o que aconteceu nas quadras de futsal do interior de Minas Gerais era mesmo algo grandioso.

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Brenno Costa é jornalista multimídia formado pela Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduado em comunicação e marketing pela Estácio. Atualmente, é correspondente da Itatiaia em São Paulo. Antes, trabalhou na Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco/Superesportes e no Globo Esporte.
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