A indústria dos games tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Em 2023, o mercado de jogos eletrônicos movimentou mais de 200 bilhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 1 trilhão na cotação atual. Tal valor é considerado seis vezes maior que o dinheiro gerado com ‘cinema’, por exemplo. Mas diz aí: você tem ideia de onde começou esse fenômeno?
O pioneiro dos ‘games’ no mundo contemporâneo não foi “Zelda”, “Mario Bros” ou “Sonic”, e sim “Tennis for Two”. Desenvolvido ainda em 1958, ele é considerado por muitos o primeiro jogo multiplayer de toda a história. O produto foi idealizado por William Higinbotham (1910-1994), físico norte-americano que participou do “Projeto Manhattan”, que criou a bomba atômica.
Em meados da década de 1950, Higinbotham descobriu que o modelo 30 do computador analógico Donner, destinado à pesquisa governamental, poderia simular trajetórias com a resistência do vento. Assim, o cientista desenvolveu o ‘game’ para uma exposição anual no Laboratório Nacional de Brookhaven, cidade no Mississippi.
O game se assemelhava a uma partida de tênis, visto a presença de duas barras verticais que servem de raquetes, além de um ponto que pisca no meio da tela representando a bola. O jogo foi exibido em um osciloscópio. Desta forma, seria possível jogá-lo com dois controladores de alumínio personalizados.
‘Tennis For Two’, jogo criado em 1958 pelo cientista William Higinbotham
Legado
O sucesso do “Tennis for Two” foi imediato, e centenas de ‘players’ formaram filas para aproveitarem o jogo. No ano seguinte ao lançamento, em 1959, o ‘game’ ganhou uma nova versão, tendo uma tela maior e diferentes níveis de gravidade, como a da Lua ou de Júpiter. Pouco tempo após a exibição, o jogo foi desmontado para que os equipamentos fossem utilizados em outros projetos.
Com isso, o “Tennis for Two” caiu no esquecimento. O ‘game’ voltou a ser comentado apenas no início da década de 1980, quando Higinbotham participou de um processo de patentes de outros jogos. Em 1997, cientistas de Brookhaven recriaram o jogo em celebração ao aniversário de 50 anos do laboratório em Mississippi.