A Stone demitiu mais de 300 funcionários na terça-feira, 10 de março. O número exato não foi confirmado pela empresa, mas representa cerca de 3% do quadro total, estimado entre 11 mil e 12 mil trabalhadores.
Em nota, a companhia afirmou que os desligamentos fazem parte de um ajuste em sua estrutura, como parte do processo de simplificação e ganho de eficiência, e que a operação segue sem impacto para clientes ou parceiros.
Sindicato critica
O Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd-SP) classificou os cortes como demissão em massa e repudiou a conduta da empresa.
Segundo a entidade, as demissões ocorreram durante a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria, cuja última reunião havia sido realizada em 5 de março, apenas cinco dias antes dos desligamentos.
O Sindpd-SP também informou ter recebido denúncias de que trabalhadores afastados e pessoas com deficiência estão entre os demitidos.
Ação na Justiça do Trabalho
Na quarta-feira, 11 de março, o sindicato protocolou uma ação civil coletiva contra empresas do grupo Stone, com a participação da Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (Fenati). Os pedidos incluem:
- Liminar para reintegração imediata dos demitidos
- Impedimento de novas demissões coletivas sem negociação prévia
- Indenização por dano moral individual de cinco salários contratuais por trabalhador
- Indenização por dano moral coletivo, com valor mínimo de R$ 10 mil por demitido, destinado ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)
A ação é direcionada às empresas Buy4 Processamento de Pagamentos, Pagar.me Pagamentos, TAG Tecnologia para o Sistema Financeiro e Stone Cartões Instituição de Pagamento.
O Sindpd-SP cita ainda decisão do STF que determina que demissões em massa devem ser precedidas de negociação com o sindicato da categoria.
Demissões após lucro de R$ 707 milhões
Os cortes ocorrem após a Stone reportar lucro trimestral de R$ 707 milhões no período encerrado em dezembro de 2024, alta de 12% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Duas semanas antes do layoff, a empresa ainda anunciava a abertura de cerca de 500 novas vagas no LinkedIn.
Nas redes sociais
Relatos de funcionários e ex-funcionários nas redes sociais revelam que o corte pegou de surpresa até as lideranças. Segundo um trabalhador que permaneceu na empresa, todas as áreas foram afetadas, incluindo logística e operacional. “Parece que nem as lideranças sabiam”, relatou.
Outro funcionário apontou que os desligamentos não foram motivados por desempenho. “Não foi por desempenho dos profissionais, mas em tudo estão fomentando o uso de IA”, disse. A empresa teria optado por concentrar os cortes em uma única rodada, ao invés de realizá-los em etapas.
Entre os benefícios oferecidos aos demitidos estão manutenção do convênio médico por três meses, vale-refeição e vale-alimentação do mês, pagamento proporcional de equity para quem tinha esse direito e um ano de LinkedIn Premium.
Quem sobreviveu ao corte também manifestou preocupação.