Ministro diz que trabalho é principal instrumento de acolhimento a venezuelanos no Brasil

Fluxo migratório se intensifica em Roraima e arredores; captura de Maduro pelos EUA reacende incertezas no país vizinho, mas emprego é apontado pelo ministro como caminho de integração

Venezuelanos que vivem no Brasil veem com tristeza crise em seu país, diz reportagem da Agência Brasil

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o trabalho é o principal instrumento de acolhimento de venezuelanos que chegam ao Brasil, destacando que muitos imigrantes têm sido inseridos no mercado de trabalho formal, e que, em casos de vulnerabilidade, são oferecidos serviços de orientação e qualificação profissional.

“Muitos venezuelanos chegam com boa qualificação e têm sido incorporados ao mercado de trabalho”, afirmou o ministro durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC. Marinho também ressaltou que, quando os imigrantes enfrentam dificuldades sociais ou de vulnerabilidade, há atuação específica para apoio à empregabilidade.

População venezuelana no Brasil

Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que a comunidade venezuelana no Brasil cresceu de forma muito acelerada nas últimas décadas. Em 2010, havia cerca de 2.869 venezuelanos residentes no país, número que saltou para 271,5 mil em 2022, tornando essa população o maior grupo estrangeiro no Brasil, à frente de portugueses e outras nacionalidades estrangeiras registradas no Censo.

A presença de venezuelanos é mais forte nos estados das regiões Norte e Nordeste, sendo Roraima um dos principais pontos de entrada devido à proximidade com a fronteira com a Venezuela. Segundo dados do IBGE, quase toda a imigração internacional que chegou a Roraima entre 2017 e 2022 era composta por venezuelanos, reforçando o papel do estado como porta de entrada para quem busca melhores condições de vida.

Contexto da Venezuela

Maduro foi levado para um navio de guerra dos EUA e será transportado para Nova York

A migração venezuelana ocorre em meio a uma crise política, econômica e institucional prolongada no país, que tem levado milhões de pessoas a buscar refúgio e oportunidades em nações vizinhas, incluindo o Brasil. Em janeiro de 2026, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças dos Estados Unidos em Caracas teve repercussão internacional, gerando incertezas sobre a situação política e econômica na Venezuela e reforçando a pressão migratória.

A operação ocorreu na madrugada de 3 de janeiro de 2026 e desencadeou reações além de discussões sobre o futuro político do país.

Venezuelanos no mercado de trabalho

Um exemplo é o da venezuelana Maria Elias, que chegou ao Brasil em 2015 com o marido e dois filhos, após o agravamento da crise econômica em seu país de origem. Maria conta sua historia em uma reportagem da Agência Brasil sobre imigração ligada a crise no país.

Técnica de informática, ela vivia com a família no estado de Carabobo, onde mantinham uma loja e conseguiam se sustentar. Com o avanço da crise, no entanto, a permanência na Venezuela deixou de ser uma opção viável. A decisão de migrar foi tomada mesmo diante da incerteza.

Segundo ela, um dos primeiros alívios ao chegar ao Rio de Janeiro foi a rápida matrícula dos filhos em escolas públicas.

Venezuelanos que moram no Brasil comemoram prisão de Maduro

A adaptação ao Brasil não foi imediata. Maria conta que ela e o marido enfrentaram dificuldades com o idioma, diferenças culturais e, principalmente, a inserção no mercado de trabalho. A alternativa encontrada foi recorrer à culinária como forma de sustento, aproveitando a influência da ascendência familiar.

O primeiro pedido veio de uma lanchonete próxima à residência da família, cujos proprietários passaram a apoiá-los no processo de adaptação.

Com o aumento da demanda, o trabalho cresceu. Em 2016, o casal começou a ser contratado para jantares em residências e, cerca de um ano depois, ampliou o cardápio. “Percebemos que as pessoas queriam também comida italiana e mudamos para cozinha árabe e mediterrânea. E mais trabalho, graças a Deus”, contou.

Mesmo estabelecida no Brasil, Maria mantém vínculos com a Venezuela e acompanha a situação do país. Ela disse ver com esperança a saída de Nicolás Maduro do poder, mas avalia que o cenário político ainda é confuso.

Com Agência

Leia também

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

Ouvindo...