Uso de celulares em sala de aula: pedagoga alerta para impactos e desafios

Universidades como Insper, FGV e ESPM implementaram regras contra uso do aparelho neste semestre

Pedagoga alerta sobre impactos e desafios do uso de celulares em sala de aula nas universidades

O uso de celulares em sala de aula tem sido alvo de debates em universidades, levando algumas instituições a adotar normas que restringem ou proíbem os aparelhos durante as aulas presenciais.

A medida tem como objetivo reduzir distrações, melhorar a concentração dos estudantes e fortalecer a interação entre alunos e professores. Em São Paulo, instituições como Insper, FGV e ESPM implementaram essas regras a partir deste semestre.

Limites e impactos do celular em sala de aula

Para a pedagoga, pesquisadora e professora universitária Maria Malerba, não há situações que justifiquem o uso do celular em sala de aula.

Mesmo atividades como tirar fotos de slides ou fazer pesquisas rápidas no Google ou ChatGPT têm efeito limitado no aprendizado, porque o aparelho também funciona como uma grande fonte de distração.

Ela explica que, atualmente, os jovens socializam menos e têm menor capacidade de autorregulação emocional, e que o celular contribui significativamente para essas dificuldades comportamentais.

Segundo Malerba, a melhor forma de lidar com o uso dos celulares é limitar o acesso ao máximo durante os momentos de aprendizagem, incluindo intervalos.

A pedagoga observa que, mesmo com estratégias para reduzir distrações, manter a atenção dos alunos é um desafio constante, já que os dispositivos funcionam como uma válvula de escape fácil para quem quer fugir da aula.

A solução, aponta, está em tornar as aulas mais dinâmicas e interativas, incorporando vivências práticas que vão além da exposição tradicional de conteúdo.

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O uso constante do celular, alerta a especialista, já prejudica o desempenho acadêmico dos estudantes.

Remover ou restringir o aparelho, segundo ela, pode incentivar um aprendizado mais ativo e aumentar a participação em sala, principalmente considerando que a maioria dos universitários ainda não completou 21 anos e está em pleno desenvolvimento cognitivo.

O impacto do celular é sentido tanto em cursos presenciais quanto híbridos ou online, mas aulas a distância tornam o acompanhamento do professor mais difícil, aumentando as chances de distração e de perda de aprofundamento no conteúdo.

Para Malerba, o contato presencial permite uma mediação mais eficaz, além de favorecer a interação social, essencial para o desenvolvimento acadêmico e emocional dos jovens.

A pedagoga ressalta ainda a importância de orientar os estudantes sobre o uso consciente e ético da tecnologia.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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