Novo Plano Nacional de Educação deve começar a ser discutido no Senado

Projeto define metas para a educação brasileira pelos próximos dez anos e será prioridade da Comissão de Educação

Novo Plano Nacional de Educação deve começar a ser discutido no Senado

O Plano Nacional de Educação (PNE) é o principal instrumento de planejamento da educação brasileira e define diretrizes, metas e estratégias para o setor por um período de dez anos. Em 2026, o Senado deve iniciar a análise do projeto de lei que estabelece o novo PNE, aprovado em dezembro pela Câmara dos Deputados e já encaminhado à Casa para discussão após a retomada dos trabalhos legislativos, em fevereiro.

O caminho do texto no Senado ainda não foi definido, mas a presidente da Comissão de Educação, senadora Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que o PNE será prioridade do colegiado ao longo do ano.

Em pronunciamento feito em dezembro, a senadora destacou que o plano será a primeira pauta da comissão em 2026, com consenso entre parlamentares, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro da Educação, Camilo Santana.

Plano Nacional de Educação

O Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes, metas e estratégias para a política educacional brasileira por um período de dez anos. A partir dele, União, estados, Distrito Federal e municípios organizam seus planos, investimentos e ações na área da educação.

Sisu 2026: confira cronograma completo; inscrições começam em 19 de janeiro

Segundo o Ministério da Educação, o PNE é um instrumento de planejamento nacional com responsabilidades compartilhadas entre os entes federativos. Por ter vigência decenal, o plano busca garantir continuidade às políticas públicas, independentemente das mudanças de governo.

Prazo do PNE

O PNE atualmente em vigor teve seu prazo encerrado no fim de 2024. A proposta enviada pelo Executivo previa vigência de 2024 a 2034, mas o início do novo plano foi adiado até a aprovação do projeto pelo Congresso Nacional. Com isso, o próximo PNE terá validade de dez anos a partir da publicação da lei.

Para a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), a atualização do plano é urgente diante dos desafios enfrentados pela educação brasileira, como desigualdades no acesso e falta de planejamento de longo prazo.

Esta será a terceira edição do Plano Nacional de Educação. O texto mantém como prioridades a erradicação do analfabetismo e a universalização do acesso à educação, alinhando o planejamento educacional a critérios de qualidade, equidade e eficiência.

Entre os destaques do projeto está a ampliação dos investimentos públicos em educação. A proposta prevê que os recursos cheguem a 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em sete anos, alcançando 10% ao final do período de vigência. Atualmente, o investimento gira em torno de 5% do PIB.

Tramitação do projeto

O projeto do novo PNE chegou ao Senado no dia 17 de dezembro. A entrega foi feita pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), presidente da comissão especial que analisou o texto na Câmara, e pelo relator da proposta, deputado Moses Rodrigues (União-CE).

Antes mesmo da chegada do projeto, a Comissão de Educação do Senado já vinha debatendo o tema. Em 2025, foram realizadas 13 audiências públicas sobre o PNE. Nos anos anteriores, outras 24 audiências discutiram o futuro do plano.

Segundo Teresa Leitão, o texto é resultado de ampla mobilização social e do trabalho conjunto do Fórum Nacional de Educação com o Congresso Nacional.

Texto do projeto

A versão aprovada pela Câmara organiza o PNE em 19 objetivos estratégicos, que abrangem da educação infantil ao ensino superior. O projeto também prevê a valorização dos profissionais da educação e metas para o combate à violência e ao bullying no ambiente escolar.

O texto mantém a defesa da escola pública e não inclui a regulamentação do ensino domiciliar. Também propõe ajustes nos mecanismos de financiamento da educação, com definição de valores a ser feita em regulamentação posterior.

Faculdade de Medicina pode custar mais de R$ 13 mil em Minas, aponta pesquisa

Entre outros pontos, a proposta reforça a gestão democrática das escolas, estabelece critérios técnicos para a escolha de diretores e substitui termos específicos por expressões mais amplas relacionadas aos direitos humanos e ao combate às discriminações.

O plano ainda prevê que metade das novas matrículas do ensino profissionalizante seja integrada ao ensino médio e que a empregabilidade e a geração de renda sejam foco ao final do ensino superior.

Metas para os anos de vigência do plano

2º ano

  • Todas as crianças de 4 a 5 anos na pré-escola
  • Conexão à internet de alta velocidade com redes wi-fi em 50% das escolas públicas

3º ano

  • Toda a população de 6 a 17 anos com acesso à escola
  • Condições mínimas de infraestrutura e salubridade em todas as escolas
  • Prova nacional para carreiras do magistério da educação básica

5º ano

  • 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano ano do ensino fundamental
  • 97% da população com 15 anos ou mais alfabetizada
  • Matrículas em tempo integral em até 50% das escolas públicas, para atender 35% dos estudantes da educação básica
  • Conexão à internet de alta velocidade com redes wi-fi em pelo menos 75% das escolas públicas
  • Planos para adaptação às mudanças do clima em 60% das redes de ensino
  • Redução de contratos temporários (no máximo 30% dos profissionais do magistério poderão estar sem cargo efetivo)

7º ano

  • Investimento público em educação equivalente a 7,5% do PIB

10º ano

  • Investimento público em educação equivalente a 10% do PIB
  • 85% dos alunos com nível adequado de aprendizagem no fim do ensino fundamental
  • 80% dos alunos com nível adequado de aprendizagem no fim do ensino médio

Com agência Senado

Leia também

Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com a editoria Educação.

Ouvindo...