Brasil registra menor distorção idade-série no ensino médio, aponta Censo Escolar

Indicador de atraso escolar cai entre 2021 e 2025, mas desigualdade racial persiste

Segundo Censo Escolar, Brasil registra menor distorção idade-série no ensino médio

Dados do Censo Escolar 2025, apresentados nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Educação, mostram queda significativa na distorção idade-série na rede pública.

O indicador mede o percentual de alunos com dois anos ou mais de atraso em relação à série adequada para a idade.

Houve melhora em todas as etapas da educação básica. No ensino fundamental, a taxa recuou de 15,6% para 11,3% entre 2021 e 2025. No ensino médio, a queda foi mais acentuada, passando de 27,9% para 17,6%.

O avanço é ainda mais visível no 3º ano do ensino médio, quando a distorção despencou de 27,2% para 14% no período analisado.

Especialistas apontam que políticas de permanência escolar têm contribuído para o resultado. Desde 2023, o programa Pé-de-Meia oferece incentivo financeiro a estudantes de baixa renda inscritos no CadÚnico, funcionando como uma poupança para estimular a conclusão dos estudos.

Com investimento de R$ 16,2 bilhões, a iniciativa já alcançou mais de 5,6 milhões de jovens, com o objetivo de reduzir desigualdades e estimular a mobilidade social.

Para o ministro da Educação, Camilo Santana, a melhora do indicador está relacionada também à redução das matrículas. Segundo ele, o índice considera quantos alunos estão na série adequada à idade.

“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluírem, eu reduzo o número de matrículas”, afirmou.

O ministro ressaltou ainda a importância da permanência dos jovens na escola. “A meta é reduzir o número de alunos indo para o EJA, porque isso significa que os mais jovens estão aprendendo o conteúdo escolar na idade certa. É importante eles passarem de ano, mas tendo aprendido.”

Segundo Santana, os resultados indicam maior eficiência do sistema educacional brasileiro. “O Brasil praticamente universalizou o acesso à escola. Precisamos garantir a qualidade e a equidade”, concluiu.

Desigualdade racial persiste

Apesar dos avanços, o Censo Escolar revela que persistem desigualdades raciais no sistema educacional. Em todas as etapas, estudantes que se declaram pretos ou pardos apresentam taxas de atraso escolar maiores do que as de alunos brancos.

Para Fábio Bravin, da diretoria de estatísticas educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a desigualdade racial fica ainda mais evidente no fim da educação básica.

Segundo ele, no ensino médio, estudantes brancos têm taxa de distorção idade-série de 11%, enquanto entre pretos e pardos o índice chega a 19%, quase o dobro.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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