Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Corte na Educação: ‘orçamento está de volta ao que era em 2009', diz reitora da UFMG

Corte na educação ameaça pesquisa da vacina, limpeza e viagens de campo na UFMG. Governo justifica a medida

Reitores das universidades federais reagem a novo bloqueio de recursos das instituições. Nessa quarta-feira (5), a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições de Ensino Superior (Andifes) informou, em nota, que o bloqueio secreto de R$ 2,6 bilhões, anunciado pelo governo em setembro e não detalhado pelo Ministério da Economia, terá um impacto de R$ 328,5 milhões nas universidades federais. Somado ao contingenciamento anterior, o bloqueio de recursos orçamentários das universidades totaliza R$ 763 milhões.

A reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Regina Goulart de Almeida, disse que o bloqueio só aumenta a restrição financeira. “Isso não é bloqueio, é corte. Em maio, perdemos R$16 milhões, que foi esse corte geral. Se nós pegarmos 2009, quando a universidade era menor, nosso orçamento foi equivalente. Então, hoje, nós estamos maiores em termos de número de cursos, número de estudantes, nós temos a quase segunda maior universidade federal do país e o nosso orçamento está de volta ao que era 2009. Quer dizer, é uma conta que não fecha.”

Ao ser questionada sobre o que pode ficar prejudicado até que esse possível desbloqueio aconteça, Regina disse: “Não há como nós liberarmos as viagens de campo, porque não temos como pagar diárias das pessoas que vão. Não podemos fazer mais nenhum compromisso orçamentário daqui para frente. Se houver alguma emergência, nós não vamos ter como atender o custeio da universidade, como, a limpeza e as pesquisas, por exemplo, da vacina”, completou.

CEFET-MG

O diretor geral Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), Flávio Santos, diz que foi pego de surpresa. “Nós temos todos os processos de compra como, por exemplo, materiais de laboratório. Estamos cancelando os processos licitatórios, suspendendo os editais que dão o suporte pro ensino para pesquisa e para extensão. Não vamos inserir nenhum novo aluno nos programas de bolsa”

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Ricardo Marcelo Fonseca, diz que para os reitores, não há mais onde cortar nas universidades. “Não existe mais gordura para queimar. Não existe nem carne para ser cortada. Agora é cortar no osso.”

Bolsonaro

Em visita a Belo Horizonte nessa quinta-feira (6), o presidente da República Jair Bolsonaro (PL) falou sobre esta denúncia das universidades.

“Chama-se contingenciamento e eu tenho que seguir a Lei de Responsabilidade Fiscal. O repasse de recurso é em função da entrada e da receita. Então o que foi adiado até dezembro uma pequena parcela. O orçamento para a educação, para o ensino superior no corrente ano é quase R$1 bilhão - superou o ano passado. Apenas contingenciamento que todos os governos fizeram não por maldade ou vontade própria, mas para cumprir de responsabilidade fiscal. O orçamento será todo ele liberado no corrente ano.”

(com informações de Edson Costa)

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.
Leia mais