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Queijo medalhista de ouro na França, é feito só por mulheres

O “Maria Nunes”, de Santo Antônio do Itambé, carrega história de superação e empoderamento feminino e prioriza o trabalho das mulheres, da ordenha à maturação

Dentre as 81 medalhas conquistadas pelo Brasil no 6º Mondial du Fromage et des Produits Laitiers Tours’ (Mundial de Queijos e Produtos Lácteos de Tours), no Vale do Loire, na França, está a Medalha de Ouro do queijo Maria Nunes, feito somente por mulheres de uma mesma família, do município de Santo Antônio do Itambé, no Serro.

A produtora Christiane Brandão, que comanda a produção, conta que precisou vencer a resistência da família - especialmente de seu pai - que “tinha conceitos patriarcais muito arraigados”. “Para ele, as mulheres não haviam sido feitas para a lida na roça, trato de vacas e ordenha”. Ela precisou sair de casa, estudar fora, se preparar por meio de cursos e treinamentos para voltar, depois de muitos anos, e provar que dava conta do ‘recado’. E deu.

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O Mondial du Fromage, realizado a cada dois anos, contou com a participação de dois mil queijeiros de todo o mundo. “Nosso queijo ficou entre os melhores do mundo. Foram dezessete medalhas de ouro e nós estamos entre elas. Foi uma grande honra e uma grande alegria”, orgulha-se. Essa foi a primeira medalha de ouro do Maria Nunes no Mundial. Além dela, o Maria Nunes conquistou também uma medalha de prata, Categoria casca florida 65 dias. Em 2019 e 2021, a iguaria trouxe pra casa duas medalhas de Prata.

Christiane atribui a conquista da medalha de ouro à sua busca incessante pela qualidade do leite, dos processos, de mão de obra, de técnica e da higiene. “Trabalho com homeopatia, que é uma ciência que vem de encontro com tudo o que acredito, dentro do trabalho que desenvolvo. Por meio dela, consigo a cura dos vários problemas que acometem o rebanho, de forma natural, sem deixar qualquer resíduo no leite”.

Empoderamento feminino

Mas, na opinião dela, o principal diferencial do Maria Nunes é ser um produto totalmente feito por mulheres. “Trago esse empoderamento dentro de mim. Além de ser a primeira mulher na tradição da família e trabalhar com minha filha Jady, priorizo a mão de obra feminina, da ordenha à maturação”.

Desde 2012, ela produz queijos Minas Artesanal, feito com o leite cru de sua própria fazenda. Atualmente, 12 vacas produzem 80 litros de leite por dia. Esses rendem 12 queijos de 1 kg por dia que ela vende pelas redes sociais e pelo site www.novo.queijomarianunes.com.br

No início, Chris trabalhava apenas com o queijo fresco. Depois se interessou pelos processos de maturação e fez vários cursos do Senar, capacitações e participações em congressos e seminários relativos ao tema.

“Fui conhecendo o trabalho dos produtores , observando e construindo aqui e ali o meu próprio modo de fazer. Ainda estou construindo, aprendendo na prática todos os dias”.

O Maria Nunes é denominado de ‘casca florida’ por causa de um fungo que causa mofo branco que se forma em toda a extensão externa do produto e que lhe confere acidez moderada como é característico dos Queijos do Serro. “Cremoso, intenso e marcante com retrogosto forte na boca . Oriento a experimentar primeiramente sem a casca pois ela é um pouco mais picante nas maturações mais longas”, ensina Christiane.

“Sob encomenda, trabalhamos também com o Casca Lisa que é o queijo Minas Artesanal tradicional com a casca amarela, não apresentando crescimento de fungos a partir de 17 dias de maturação”, explicou.

A medalha de ouro aumentou a valorização e e a visibilidade do produto. “Estamos colhendo os frutos desse concurso maravilhoso, que premia não só o queijo mas a história, o trabalho, esforço de todos produtores”.

Premiações do Maria Nunes:

MUNDIAIS CONQUISTADOS NA FRANÇA:

  • TETRA CAMPEÃS MUNDIAIS em Tour NA FRANÇA no Mundial de Queijo @mondialfromagetours

  • Em 2023, medalhas de ouro e prata e em 2019 e 2021, duas medalhas de Prata no Mundial na França.

  • MUNDIAIS CONQUISTADOS NO BRASIL: DUAS medalhas de Prata e dois Bronzes no @mundialdoqueijodobrasil

  • PRÊMIO QUEIJO BRASIL: DUAS medalhas de Prata em 2023 e 4 Bronzes pelo quarto ano consecutivo no prêmio @queijobrasil.

  • SERRO: Quinto lugar no Concurso Regional do Queijo do Serro em 2022.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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