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Volta da inflação em julho não deve afetar trajetória de queda dos juros, dizem economistas

Desaceleração da inflação de serviços e da difusão, além da descompressão dos núcleos e variação baixa, são alguns dos pontos positivos do resultado mensal

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Volta da inflação em julho não deve afetar trajetória de queda dos juros, dizem economistas.
Volta da inflação em julho não deve afetar trajetória de queda dos juros, dizem economistas. • CNN Brasil

A volta da inflação em julho, depois da deflação de 0,08% registrada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em junho, não deve afetar a expectativa dos agentes econômicos, que acreditam que a trajetória de queda dos juros deve ser manter consistente ao longo dos próximos meses.

A avaliação é de economistas ouvidos pela CNN após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar, nesta sexta-feira (11), que a inflação oficial do país registrou alta de 0,12% em julho.

A preocupação do mercado é que o ritmo de aceleração dos preços interfira na projeção para os juros até o final do ano. Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) afirmou que irá manter em 0,5 ponto o ritmo de cortes da Selic nas próximas reuniões.

Segundo o último Boletim Focus, os economistas esperam que o IPCA encerre 2023 em 4,84%, enquanto a Selic esteja em 11,75%.

Especialistas destacam que a composição positiva do índice de preços de julho corrobora a intenção do BC de afrouxamento da política monetária. “A inflação no ciclo atual não chega a assustar”, afirma Samuel Barros, doutor em administração e reitor do Ibmec no Rio de Janeiro.

“O resultado de hoje certamente melhorou nossa perspectiva para a inflação no ano”, confirma Rafael Costa, economista e integrante do time de estratégia macro da BGC Liquidez.

Composição positiva

O comportamento dos tens que da composição do IPCA é positiva, ainda que o resultado final tenha vindo acima do esperado, avalia Gustavo Cruz, Estrategista Chefe da RB Investimentos.

O economista destaca a desaceleração da inflação de serviços, de 0,62% para 0,25%, e uma redução no índice de difusão do IPCA como os principais fatores para o resultado.

Já o índice de difusão da inflação — que marca o quanto o aumento de preços está disseminado na economia — está bem mais controlado, opina Cruz. O indicador desacelerou de 49,6% para 46,15% no último mês. 

“Acredito que a composição é positiva para que a inflação tenha uma trajetória mais fácil para o Banco Central trabalhar com os cortes de juros adiante”, avalia o especialista. 

Marco Caruso e Igor Cadilhac, analistas do PicPay, ainda destacam outros dois itens que reforçam uma “composição saudável” do índice.

A variação historicamente baixa da média dos núcleos (0,18%), que desconsideram do cálculo itens com maior volatilidade. Além da descompressão nos núcleos que guardam maior relação com a atividade econômica.

Olhando adiante, os especialistas destacam que a leitura qualitativa dos núcleos, incluindo serviços, vem se mostrando mais positiva. “Esse ponto, aliás, é mais relevante para a política monetária”, avaliam.

Enquanto isso, Samuel Barros destacou que o período de julho conta com os efeitos das férias de inverno no consumo turístico (passagens aéreas). Além disso, a inflação do mês sentiu o impacto da mudança na regra do preço dos combustíveis, destaca.

Segundo o IBGE, o grupo Transportes apresentou o maior impacto (0,31 ponto) e a maior variação (1,50%) no IPCA do mês.

Além disso, a gasolina, subitem de maior peso individual no índice (4,79%), foi o produto que mais impactou no resultado de julho, com uma variação de 4,75% e contribuição de 0,23 ponto percentual.

André Almeida, gerente do IPCA, explica que esse aumento capta a reoneração de impostos, com a volta da cobrança da alíquota cheia de PIS/COFINS

Trajetória em linha

Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, pontua que o resultado de hoje pode ser considerado positivo se analisado sob a perspectiva da busca pela retomada da estabilidade de preços, que é o objetivo atual do Banco Central.

Para a especialista, existe uma continuidade dos efeitos positivos sobre a inflação, que acontece por meio do encarecimento do crédito destinado aos consumidores e tem inibido o acesso à bens como eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

“Como é sabido, esses bens são extremamente sensíveis às variações do ciclo econômico e alterações da taxa de juros”, ressalta.

Além disso, ela destaca que os serviços subjacentes também são representativos dos impactos da política monetária e se somam aos bens industriais, cuja evolução positiva pôde ser verificada desde o início do ano.

Samuel Barros concorda que o aumento da inflação no mês ainda pode ser considerado pequeno, e que ele ainda não chega a assustar.

O professor avalia que, agora, cabe ao Banco Central acompanhar os próximos meses, principalmente agosto e setembro.

Veja também: Gasolina puxa inflação, que sobe 0,12% em julho

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