O salário mínimo da Venezuela caiu para cerca de R$ 2,34 com a queda da desvalorização acentuada do bolívar frente ao dólar após a operação dos Estados Unidos, no último sábado (3). Atualmente, o piso remuneratório no país está estimado em 130 bolívares, o equivalente a US$ 0,40 centavos de dólar por mês.
Na Venezuela, o salário mínimo está congelado nesse patamar desde março de 2022, quando na época correspondia a cerca de R$ 160 por mês. Com a grave crise econômica enfrentada pelo país, o bolívar passa por uma grande depreciação cambial que reflete a perda contínua de poder de compra da moeda local.
Na segunda-feira (5), quando os mercados abriram pela primeira vez após a ofensiva dos EUA, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, a cotação do bolívar fechou em 304,30 por dólar.
As reclamações sobre a desvalorização do bolívar é uma constante entre os refugiados venezuelanos que tentam atravessar a fronteira para o Brasil. David Camero, que vive em solo brasileiro há oito anos, destacou que a desvalorização da moeda é um fator crucial para que as famílias deixem o país natal em busca de novas oportunidades.
“O Bolívar aqui não vale nada. Algo como 150 bolívares equivalem a 1 real. Dá para comprar uma cartela de ovos, frango. Não dá para manter uma família”, declarou à Itatiaia.
A depreciação cambial vinha se intensificando nos últimos meses, de acordo com a escalada da tensão entre EUA e Venezuela. Desde o final do ano passado, tropas americanas ocupavam o mar do caribe para, supostamente, combater o narcotráfico. Inicialmente, as ações estavam concentradas em ataques a embarcações que seriam de criminosos.
Porém, em dezembro os EUA começaram a interceptar navios petroleiros da Venezuela com milhões de barris de petróleo, base da economia local. Em 2025, o bolívar acumulou uma desvalorização de 78,8% frente ao dólar, que ficou 372,2% mais caro no país.