Mercado reduz estimativas para a inflação e taxa de juros em 2026

Especialistas reduziram pela primeira vez no ano a estimativa para a taxa básica de juros, a Selic

Primeiro corte da Selic deve ocorrer na reunião de março do Copom

Analistas do mercado financeiro reduziram a previsão de inflação em 2026 de 3,95% na última semana para 3,91% nesta segunda-feira (23), de acordo com o novo Boletim Focus do Banco Central (BC). Na esteira do otimismo para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os especialistas reduziram pela primeira vez no ano a estimativa para a taxa básica de juros.

De acordo com o relatório, a previsão para a Selic caiu de 12,25% na última semana para 12,13%. O bom momento para os indicadores macroeconômicos também deve refletir na queda do dólar, que na estimativa do mercado saiu de uma cotação de R$ 5,50 para R$ 5,45 no fechamento de 2026.

O primeiro corte na taxa de juros neste ano está previsto para a reunião de março do Comitê de Política Monetária do BC (Copom). O movimento foi sinalizado pela autoridade monetária na reunião de janeiro, quando manteve a Selic estável a 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas.

A taxa de juros é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O patamar elevado é usado com o objetivo de desacelerar o consumo e levar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta de 3%.

Ainda de acordo com o Focus, os especialistas também fizeram um leve ajuste na previsão de variação para o Produto Interno Bruto (PIB), de 1,80% para 1,82% no levamento desta semana do Focus. Para 2027 e 2028, o mercado manteve todos os indicadores estáveis.

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A estimativa é consideravelmente menor do que a previsão do governo federal. Segundo dados da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o crescimento da economia neste ano deve ser de 2,3%. O número é uma revisão para baixo em relação aos números apresentados em novembro, que era de uma expansão de 2,4%.

A projeção estima uma desaceleração da agropecuária, com um crescimento de apenas 0,5% em 2026, com queda na produção de grãos, segundo os primeiros prognósticos da safra. A queda no agro deve ser compensada pela Indústria (2,3%) e serviços (2,4%).

Focus2026202720282029
IPCA3,91%3,80%3,50%3,50%
PIB Total1,82%1,80%2,00%2,00%
CâmbioR$ 5,45R$ 5,50R$ 5,50R$ 5,52
Selic12,13%10,50%10,00%9,50%
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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