Belo Horizonte
Itatiaia

Prévia da inflação sobe 0,41%, mas especialistas apontam melhora no indicador

Resultado ainda veio abaixo da expectativa do mercado financeiro e pode sinalizar para uma melhora no processo inflacionário

Por
Maior impacto do IPCA-15 veio da alta na energia elétrica residencial
Maior impacto do IPCA-15 veio da alta na energia elétrica residencial • Rovena Rosa/Agência Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, foi de 0,41% em junho, ficando 0,21 ponto percentual (p.p) abaixo da taxa de maio medida pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (25).

O resultado ainda veio abaixo da expectativa do mercado financeiro, que previa uma alta de 0,44% no mês. Segundo o IBGE, os grupos Alimentação e Bebidas (0,74% e 0,16 p.p.) e Habitação (0,72% e 0,11 p.p.) contribuíram positivamente no resultado geral, respondendo por cerca de 66% do resultado.

Entre os produtos e serviços pesquisados, os maiores impactos vieram do preço da energia elétrica residencial, que subiu 2,04%; da batata-inglesa, com alta de 29,42%; passagem aérea (7,24%), tomate (17,27%), higiene pessoal (1,03%) e feijão-carioca (14,29%). Entre os subitens com impactos negativos neste mês, destacaram-se gasolina (-0,73% e -0,04 p.p.), etanol (-5,30% e -0,04 p.p.), café moído (-3,69% e -0,02 p.p.) e frutas (-0,96% e -0,01 p.p.).

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,45% e, em 12 meses, de 4,80%, acima dos 4,64% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Segundo o economista sênior do banco Inter, André Valério, o indicador teve uma melhora significativa no seu qualitativo, com a média dos núcleos desacelerando de 0,49% para 0,34%, menor valor desde dezembro de 2025.

“Ainda assim, no acumulado em 12 meses a inflação de núcleo avançou de 4,44% para 4,47%, indicando arrefecimento na margem e que podemos estar próximos do topo da piora observada. A inflação cheia de serviços recuou de 0,48% para 0,4%, mas a queda foi limitada pela alta na passagem aérea. Excluindo esse item, a inflação de serviços foi de 0,26%, bem abaixo dos 0,42% observados em maio”, explicou.

Retorno à normalidade

Ainda de acordo com o especialista, o resultado sugere um princípio de retorno à normalidade do processo inflacionário, que estava impactado pela guerra no Oriente Médio. “Com o arrefecimento da inflação de combustíveis e início de desaceleração da inflação de alimentos, podemos ver a continuidade dessa normalização nas próximas leituras, pré-requisito para a continuidade do ciclo de calibração da Selic”, destacou Valério.

Para Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), o resultado é uma notícia "moderadamente positiva" para o mercado.

"Apesar de o acumulado em 12 meses ainda permanecer elevado, em 4,8%, acima do teto da meta, o dado reforça a percepção de que a inflação mais persistente começa a perder força. Isso ajuda a explicar a queda dos juros futuros nesta manhã e aumenta a confiança de que o ciclo de flexibilização monetária", disse.

Já segundo Gabriel Foglieni, gerente de investimentos da Eleva Invest, o dado ainda reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária e mantém os investidores atentos às sinalizações do Banco Central no ciclo de cortes da Selic.

"Enquanto a inflação continuar rodando perto de 5%, fica mais difícil sustentar uma expectativa de cortes mais agressivos da Selic. Isso tende a manter a curva de juros pressionada e exige mais seletividade na montagem dos portfólios", declarou.

Por

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.