Luana Piovani assinou contrato com sindicato para criticar a PEC da autonomia do BC
Atriz publicou um vídeo contrário a mudanças no Banco Central no mesmo dia em que direção de sindicato aprovou a contratação; caso foi revelado pela Folha de S. Paulo

A atriz Luana Piovani assinou um contrato publicitário de R$ 300 mil com o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central no Distrito Federal (Sinal-DF), para criticar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece a autonomia financeira e administrativa da autoridade monetária nacional. O conteúdo foi publicado por ela nas redes sociais no último dia 9 de junho.
O caso foi revelado pela Folha de São Paulo, nesta quinta-feira (25). A publicação do jornal revela que o vídeo foi divulgado por Piovani no mesmo dia em que a contratação foi aprovada pela direção do conselho regional, de acordo com a ata da reunião virtual. Na ocasião, a presidente do Sinal-DF, Edna Velho, defendeu uma atuação mais “incisiva” da entidade contra a PEC.
"Nesse contexto, foi sugerida a contratação da atriz e influenciadora Luana Piovani para participar de campanha de comunicação voltada à crítica da PEC, considerando sua atuação pública em manifestações relacionadas a temas de interesse social e a propostas consideradas prejudiciais à população", diz a ata da reunião.
O documento também revela que a diretora já havia conversado com a atriz sobre o contrato, destacando o alinhamento de Piovani com as posições defendidas pelo sindicato. A ata ainda mostra que a contratação e o limite financeiro de até R$ 300 mil foram aprovados por cinco votos favoráveis e apenas uma abstenção.
A Itatiaia entrou em contato com o Sinal-DF e com a equipe da atriz Luana Piovani para uma manifestação sobre o caso, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto para um posicionamento.
Autonomia do BC
A PEC do BC foi apresentada ainda na gestão do presidente Roberto Campos Neto, em 2023, alterando a Constituição para estabelecer um novo regime jurídico e conferindo autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira do BC. A proposta também define que o Banco Central será organizado como uma empresa pública, enquanto atualmente é uma autarquia de natureza especial.
A proposta foi aprovada no dia 10 de junho na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, e agora aguarda votação em plenário. O grupo favorável à PEC defende que o texto pode aproximar as remunerações do BC à da Receita Federal, enquanto o grupo contrário afirma que poderá haver uma extinção de carreiras.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



