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Efeitos de guerra e El Niño são 'insensíveis à política monetária', diz diretor do BC

Diretor do BC comparou os choques de oferta a um 'hematoma' que precisa de tempo para desaparecer e não responde a juros mais altos

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Paulo Picchetti, diretor de Política Monetária do BC
Paulo Picchetti, diretor de Política Monetária do BC • Lula Marques/ Agência Brasil

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Paulo Picchetti, afirmou nesta quinta-feira (25) que os impactos do conflito no Irã e do fenômeno climático El Niño na inflação são "insensíveis" às decisões de política monetária. Ele comparou os choques da guerra e do fenômeno climático a um "hematoma" que precisa de tempo para desaparecer, destacando a complexidade do cenário econômico.

No comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central sinalizou que ficou "evidente" uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028. De acordo com o colegiado, o cenário da inflação se deteriorou no intervalo das reuniões de abril e maio.

"O nosso olhar para o trimestre de 2028 foi ver que naquele cenário tem esse componente de choque de oferta que é insensível à política monetária. Ou seja, se a gente dobrasse ou triplicasse a Selic, não íamos abrir o estreito de Ormuz ou fazer El Niño mudar de ideia e deixar de nos visitar esse ano", disse Paulo Picchetti.

O diretor reiterou que o BC segue perseguindo o chamado "horizonte relevante" da política de juros, isto é, o último trimestre de 2027. Ele destacou que o Comitê de Política Monetária não "alongou" o horizonte ao enfatizar o trimestre de 2028, conforme detalhado na ata do Copom sobre projeções de inflação.

"É como um hematoma. Você leva uma pancada e fica roxo. Esse roxo tem a sua dinâmica, sua inércia. Não tem muito o que você pode fazer no caminho para tirar ele, não tem um remédio que pode tomar. Um dia ele vai embora, se não aparecer outro choque", disse o diretor ao comparar os choques de oferta a um "hematoma".

A autoridade monetária tem o objetivo de fazer convergir a inflação para o centro da meta, que é de três por cento com intervalo de tolerância que varia de 1,5% a 4,5%. Enquanto isso, o mercado financeiro tem ajustado as projeções de inflação, refletindo a complexidade do cenário atual.

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