Petrobras paralisa perfuração na Foz do Amazonas por vazamento de fluido

Acidente teria ocorrido no último domingo (4), paralisando a exploração por um período entre 10 e 15 dias

Sonda de perfuração NS-42, responsável pela perfuração do poço em águas profundas do Amapá.

A Petrobras vai paralisar as atividades de perfuração no Foz do rio Amazonas após constatar o vazamento de fluido em duas tubulações de apoio à pesquisa do navio-sonda no poço Morpho. O acidente teria ocorrido no último domingo (4), paralisando a exploração por um período entre 10 e 15 dias.

Segundo informações obtidas pela CNN Brasil, durante uma operação de rotina a equipe percebeu a queda no nível de fluido de perfuração nos tanques da plataforma, indicando que parte do material estava sendo perdida. Após uma inspeção em superfície, um robô submarino foi lançado e identificou o vazamento a cerca de 2.700 metros de profundidade.

O volume estimado do fluido vazado foi de 14,945 m³, paralisando a operação. A Petrobras havia conseguido uma licença do Ibama para iniciar a perfuração do poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas do Amapá, em outubro do ano passado.

O bloco fica a cerca de 500 km da foz do Rio Amazonas e 175 km da costa, em uma área de mar aberto. De acordo com a Petrobras, nesta etapa o objetivo é coletar dados geológicos e verificar se há petróleo e gás em quantidade suficiente para viabilizar a produção futura.

A licença foi conquistada após meses de polêmica entre a estatal e áreas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), causando uma disputa interna no Palácio do Planalto pelo Projeto. Uma parte do Executivo defendia a exploração como ponto fundamental para o desenvolvimento econômico da região e do país, enquanto a área ambiental defende o fim do uso dos combustíveis derivados do petróleo.

Cabe ressaltar que nesta fase, não há extração de petróleo - trata-se apenas de pesquisa exploratória. Apesar de ainda não produzir, organizações como o Instituto Socioambiental (ISA) e o WWF Brasil alertavam para riscos de acidentes, impactos sobre ecossistemas sensíveis e possíveis efeitos sobre a vida marinha na região.

A Itatiaia procurou a Petrobras para um posicionamento sobre o vazamento, mas até o momento não houve resposta. O espaço segue aberto.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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