Usina Modelo com IA é inaugurada em Itabira e amplia produtividade na unidade em 25%
Unidade da Vale no município tem capacidade de 11,2 bilhões de toneladas por ano e será referência para expansão do modelo em outras operações da empresa

A primeira usina 100% automatizada da Vale foi inaugurada em Itabira, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O lançamento ocorreu nesta quarta-feira (10) após a fase de implementação, que durou 18 meses. Durante esse período, a usina aumentou a produtividade em 25%, atingindo a capacidade planejada de 11,2 milhões de toneladas, e reduziu o teor de minério de ferro no rejeito em 26%.
O investimento foi de R$ 200 milhões. Em entrevista à Itatiaia, o vice-presidente técnico da Vale, Rafael Bittar, explicou como as mudanças trouxeram maior segurança e produtividade para as operações.
“A gente reduziu muito a necessidade de intervenções na usina, a disponibilidade da usina é muito maior, ela tem menos manutenção e as pessoas hoje estão muito mais felizes. Os operadores hoje têm muito menos necessidade, de madrugada ou à noite, de acessar locais que eram mais difíceis de acessar porque nós instalamos mais de 100 câmeras nessa usina também. Então, o nível de automação, de controle e de monitoramento hoje é muito maior”, afirmou Bittar.
Ao todo, 122 operadores que já trabalhavam na empresa foram treinados para controlar as máquinas remotamente, o que reduziu os riscos. De acordo com a Vale, desde que a tecnologia foi implementada, nenhum acidente de trabalho foi registrado na unidade.
“No passado, quando os operadores tinham que ir na área, muitas vezes eles tinham pouca informação. Hoje ele tem informação na palma da mão dele, online, em tempo real, de tudo que está acontecendo na usina”, continuou.
Com capacidade atual de 11,2 milhões de toneladas por ano, a usina Conceição 2 foi modernizada para integrar processos com uso de Inteligência Artificial, ampliar o uso de automação e reduzir a exposição de pessoas a atividades de risco. A expectativa é que a unidade seja referência para expansão do modelo em outras operações da empresa.
A usina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central de Minas Gerais, será a próxima a inaugurar essa tecnologia, que já está sendo implementada. Na sequência, a mina Vargem Grande, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, deve receber o modelo.
A implementação da Usina Modelo em Itabira abrangeu 51 soluções. Ainda segundo o vice-presidente técnico da Vale, com a inteligência artificial é possível calcular a interferência entre as variáveis.
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“Temos 7 mil sensores, mais de 400 variáveis, com o uso da inteligência artificial a gente pode ver a influência de cada variável na outra, essa influência entre as variáveis, muitas delas a gente vai descobrir com o tempo, porque a inteligência artificial vai aprendendo qual seria o melhor ajuste de cada operação unitária dessa usina”, afirmou.
Bittar acredita que a inteligência artificial vai possibilitar uma capacidade de otimização até estão nunca pensada. “Eu acredito que com o tempo agora os modelos estão aprendendo, a gente vai conseguir ter resultados ainda superiores dos que a gente já vem tendo”, continuou.
Mais de 100 câmeras de monitoramento foram instaladas no complexo de prédios da usina, cerca de 7.300 instrumentos foram automatizados, o que incluem os novos dispositivos de medições e os sensores. Houve, ainda, a revisão de fluxos operacionais para antecipar falhas com objetivo de evitar paradas não programadas.
As novas tecnologias implementadas incluem soluções de operação remota, como braços mecânicos, e a automação de equipamentos elétricos e mecânicos, como motores e válvulas, o que pode viabilizar a operação da usina à distância, a partir de salas de controle.
A produção na Conceição2 era 9 milhões de toneladas em 2024 e, após a implementação do modelo, a usina passou a ser habilitada a produzir 11,2 Mt.
Descarbonização
Durante o projeto piloto, houve um avanço nos produtos processados pela usina. A participação do pellet feed de redução direta aumentou em 40%. O produto é considerado premium e estratégico para a descarbonização da siderurgia. A recuperação mineral também foi otimizada, o que elevou o aproveitamento dos recursos e a eficiência operacional.
De acordo com a Vale, os ganhos de qualidade incluem aplicação de tecnologia de análise online do teor de minério durante o beneficiamento. A inovação permite ajustes imediatos no processo e possibilita a correção da rota de tratamento mineral.
Com isso, a unidade consegue aproveitar melhor o ferro contido no material e reduzir a geração de rejeito. Em 2026, a média do teor de ferro contido no rejeito reduziu 26%.
A iniciativa também amplia a eficiência no uso de recursos naturais. A tecnologia aumenta o índice de reaproveitamento de água. Atualmente, por exemplo, 92% da água utilizada na Usina Conceição 2 é recirculada. Com isso, após a filtragem do minério e do rejeito, que são as etapas finais do processamento, a água retorna para a operação.
Parceria e conectividade
A implementação da Usina Modelo em Itabira e a expansão do modelo para outras unidades operacionais foi possível por meio de uma parceria com a ABB. A empresa é referência global em automação e eletrificação. Eles forneceram o software e o sistema.,
Além disso, a Vale conta com uma rede própria, considerada uma das maiores do mundo, o que possibilita um tempo de resposta quase que instantâneo e que aumenta a conectividade do sistema.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



