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O que faz o investidor colocar dinheiro no Brasil?

Clóvis Torres afirma que um grande projeto de mineração não pode ser pensado apenas a partir dos interesses da empresa

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Clóvis Torres é presidente do Conselho de Administração e diretor-presidente da Belo Sun • Reprodução | Youtube Itatiaia

A previsibilidade nos processos de licenciamento, a segurança jurídica e os impactos econômicos de grandes projetos de mineração foram alguns dos principais temas da conversa entre Leonardo Bortoletto e Clóvis Torres, presidente do Conselho de Administração e diretor-presidente da Belo Sun, no Itatiaia Negócios Cast.

Ao longo da entrevista, o executivo falou sobre o projeto de ouro da Belo Sun em Altamira, no Pará, os desafios para colocar o empreendimento em operação, a geração de empregos e os efeitos que um projeto de longo prazo pode produzir sobre a economia da região.

Leia a entrevista completa:

Leonardo Bortoletto: Clóvis, você já tem uma relação muito próxima com Minas Gerais, recebeu a Medalha da Comenda da Inconfidência, recebeu a Comenda Santos Dumont em Santos Dumont. Então tem um lugar no meu coração. E Belo Sun, me conta do desafio, me conta das perspectivas da empresa, por favor.

Clóvis Torres: Belo Sun é um projeto de ouro, é uma empresa que tem um único ativo, que é um projeto de ouro em Altamira, no Pará.

É uma empresa que está listada no Canadá. Isso porque nós precisávamos de recursos para fazer a sondagem, para provar a viabilidade daquele projeto. Então, dois países no mundo que fazem isso são Austrália e Canadá. Pela proximidade, pela facilidade, o Canadá foi escolhido.

Então, nós abrimos o capital lá para poder obter esses recursos para fazer a sondagem e descobrimos realmente recursos e reservas de ouro muito significativas, mais ou menos 20 km de Altamira, no Pará. E vimos aí, desde 2012, trabalhando, licenciando esse projeto para colocá-lo de pé.

Hoje é um dos cinco melhores projetos de ouro não explorados no mundo, pela qualidade do ouro, pela sua facilidade logística de estar perto ali de um grande centro como Altamira.

Leonardo Bortoletto: Em que fase que a gente está lá agora?

Clóvis Torres: Nós temos a licença de instalação, ou seja, tínhamos a licença prévia, conseguimos a instalação que nos autoriza a construir. Então nós estamos resolvendo uns últimos assuntos no licenciamento para poder então começar a construir, que nós estamos prevendo aí para segundo trimestre ou segundo semestre do próximo ano.

Leonardo Bortoletto: E, bom, quando você está falando de mineração, tem muita coisa antes para preparar para poder começar a atuar, né? Vocês já estão em operação, mas efetivamente nós só vamos ver os frutos de tudo aquilo que vocês estão se programando daqui um ano. É isso?

Clóvis Torres: Mais de um ano. Porque nós vamos começar a construir e creio que a gente começa a produzir em 2030.

Leonardo Bortoletto: É um projeto que prevê ali uma planta para processar 3 milhões e meio de toneladas de terra por ano?

Clóvis Torres: E ali extrair 205 mil onças de ouro. Essa é a produção inicial prevista.

Leonardo Bortoletto: E, lógico, você tem uma série de programas sociais, ambientais que nós temos que colocar em atuação, em atividade, antes de começar a produzir. Isso é prévio, Clóvis?

Clóvis Torres: Tudo isso é prévio. Tudo é prévio. O empreendedor num projeto desse acaba tendo um risco muito grande, porque você sabe quando começa o seu processo de licenciamento.

Você, definitivamente, hoje no país, não tem a menor ideia quando vai terminar. Então, essa previsibilidade é, digamos, um problema que a gente lida. Isso, lógico, aumenta o custo de capital para que a gente desenvolva o projeto.

E, infelizmente, o processo de licenciamento ambiental, ele hoje no mundo todo sofre dessa dificuldade de prever quando ele começa e como ele termina. Começar é fácil, é simples, tem o caminho. Para quando vai terminar e de que forma é uma incógnita.

Leonardo Bortoletto: Então o papel do Clóvis hoje está muito menos ligado nesse momento ainda com a mineração em si e mais voltado para a preparação desse ambiente?

Clóvis Torres: Sem dúvida. Existe sim uma questão de acompanhar os órgãos ambientais bem de perto e todos aqueles outros que vêm juntos.

No caso, nós temos questões indígenas, então a FUNAI participa. Nós temos questões fundiárias, o INCRA está presente. Então existe uma série de outras entidades que participam no processo de licenciamento e que isso é hoje, digamos, uma grande parte da minha função.

E tudo isso está na mesa, além, lógico, de estar conversando com as comunidades, de conversar com as comunidades diretamente, sempre, que eu acho que a licença social para operar, ela sempre é mais importante que qualquer outra. Você tem ali os bons vizinhos, e sermos bons vizinhos. E isso é fundamental para qualquer empreendimento de longo prazo.

Leonardo Bortoletto: Então, hoje é muito difícil você achar minérios em lugares que tenham toda infraestrutura montada?

Clóvis Torres: Já não existe mais. Aqueles lugares já foram explorados. Eu acho que até se pensar em Minas Gerais, temos essa polêmica envolvendo a Serra do Curral, porque a cidade chegou mais perto dos recursos minerais. Então ali já não pode mais fazer nada.

Então as grandes minas em Minas Gerais, elas estão exploradas, já se conhece muito a geologia. Então, quando você vai ao Pará, ao Mato Grosso e outros lugares do país, você ainda consegue encontrar grandes recursos minerais.

Agora, lógico, nós temos que entender que nós estamos falando de região amazônica.

Leonardo Bortoletto: A floresta amazônica é sensível de qualquer forma?

Clóvis Torres: Qualquer tipo de setor, qualquer serviço que fosse feito lá, qualquer indústria, qualquer desenvolvimento. Ela envolve muitas coisas, não só a questão social, a questão ambiental, mas a atenção do mundo inteiro.

Então é importante que a gente redobre a nossa atenção também durante o processo de licenciamento e isso é feito.

Leonardo Bortoletto: Eu costumo dizer, Clóvis, que a Amazônia é nossa, mas ela importa para todo mundo. Então lá sempre é redobrado, né?

Clóvis Torres: Não tem a menor dúvida.

Hoje aquela região sofre muito com questões que pouca gente conhece, como, por exemplo, o garimpo ilegal, que já se conhece há muito tempo, desde Serra Pelada. Hoje o que se diz, as investigações que estão em andamento, é que o crime organizado vem comprando aquele ouro e trocando por armas nas fronteiras, trazendo armas pelo Brasil.

Agora, dado o tamanho da Amazônia, você tem uma dificuldade muito grande do governo, seja federal, seja estadual, de fiscalizar isso e combater, que é uma área enorme com a fronteira imensa com diversos países da América Latina.

Então é mais um cuidado que a gente tem que ter, não só para a nossa produção, mas com os nossos funcionários, com o nosso entorno, para ajudar que isso não aconteça.

EMPREGOS E IMPACTO ECONÔMICO

Leonardo Bortoletto: Agora, Clóvis, quando um projeto como esse é aprovado, o que que gera?

Clóvis Torres: Muita coisa. Principalmente, eu acho que esse é o clamor maior de toda a região que está no nosso entorno: geração de empregos.

O programa social mais importante que nós teremos, que nós estamos desenhando nesse momento, fizemos acordo com o Sistema S, com a FIEPA, a Federação de Indústria do Estado do Pará, é justamente o programa de capacitação de mão de obra.

Para você ter ideia, duas semanas depois de recebermos a licença de instalação, agora em fevereiro passado, nós tínhamos quase 12 mil pessoas inscritas no nosso website procurando emprego.

Então, que este seja o principal benefício que a gente traz para a região, para toda a população, é o que há de melhor. Porque você simplesmente fazer uma contribuição aqui e ali, fazer um programa social aqui e ali, ele tem um alcance, mas um alcance na maioria das vezes é limitado.

A geração de empregos não. Ela é ali constante, porque no mínimo você está capacitando a pessoa para, terminada eventualmente a exaustão da mina, o projeto terminar, você tem uma pessoa capaz de procurar emprego em qualquer outro lugar.

Esse é um dos efeitos de longo prazo da implantação de um projeto como esse.

Leonardo Bortoletto: E não só esse, tem vários outros, né? Porque às vezes a gente consegue perceber o imediato de uma maneira muito clara. Mas há tantos lugares no Brasil que, acompanhando a história de mineração, vi serem transformados e nem sempre isso fica claro e evidente. Então acho que é uma boa oportunidade também da gente entender os impactos de longo prazo.

Clóvis Torres: Os impactos são grandes, eles são de curto, médio e longo prazo.

A geração de recursos, de riqueza, ela é inegável.

Nós temos ali, o IBRAM, Instituto Brasileiro de Mineração, fez um estudo onde ficou provado que a cada emprego direto gerado por um projeto de mineração há 10 indiretos criados. Ou seja, eu terei mil pessoas trabalhando diretamente para nós, nós teremos 10 mil pessoas trabalhando indiretamente, seja em empresas contratadas, seja nos serviços que nós vamos precisar para o projeto.

E aí nós estamos falando de uniforme, segurança, alimentação, transporte. Tudo isso gera, além do próprio consumo que os empregados da empresa acabam tendo na região e que vão utilizar dos serviços locais. Eles vão morar lá e vão morar por muito tempo.

E esta é uma coisa que nós temos trabalhado com os potenciais contratados, empresas contratadas, que há um mínimo percentual de ser utilizado de mão de obra local.

COMUNIDADE E SUSTENTABILIDADE

Leonardo Bortoletto: Como que você faz lá na Belo Sun para poder equilibrar o seu interesse econômico com o interesse da comunidade e também sustentabilidade, que é algo que não pode ficar de fora do seu parâmetro?

Clóvis Torres: Isso faz parte de uma discussão diária. Nós não podemos viver isolados. Não somos uma ilha. Nós temos que, se nós estamos bem, nossos vizinhos têm que estar bem.

Existem aquelas questões obrigatórias, ou seja, eu tenho que pagar royalties. E isso vai para o estado, vai para o município, vai para a União. Então o município recebe aqueles recursos de qualquer forma.

Nós oferecemos apoio aos prefeitos para que eles possam ter uma consultoria que os ajude a destinar aquele recurso que veio, de uma forma que beneficia a população como um todo.

Mas nós vamos trabalhar para que a população tenha benefícios que venham do projeto, seja por empregos, seja realmente criar outro tipo de oportunidade, para que nós não vivamos numa ilha de riqueza ali engolfada numa área maior de pobreza.

Leonardo Bortoletto: A gente está vivendo uma polarização no Brasil que não é única e exclusivamente política. Ela desaguou para todas as áreas. Tem jeito da gente falar de mineração no Brasil de hoje sem posição extremada?

Clóvis Torres: Não tenho dúvida.

Nós vimos o que acontece com uma grande empresa e essa grande empresa, realmente, ela tem um faturamento que às vezes chega ao de alguns países no mundo.

Não é o caso quando você olha a quantidade de mineradoras que nós temos no Brasil. Você vê que a área é uma área que tem crescido muito, ela é uma área que contribui muito para o PIB, é uma área que gera muita riqueza e gera muitos empregos.

Então acho que não podemos olhar de forma isolada, que de certa forma para o setor e para as pessoas envolvidas.

O fato de ter sido uma grande empresa muito rica facilitou todo o processo de reparação. Teria sido muito pior se fosse uma empresa que não tivesse recurso, teria quebrado e isso teria ficado para quem resolver.

Então eu acho que esse é o momento que marcou uma série de mudanças no setor, principalmente na questão de segurança, e tomar cuidado com os entornos dos projetos.

E isso é uma coisa que a gente tem olhado muito de perto: quais são aquelas comunidades, quem são as pessoas, qual o meio ambiente que está sendo impactado pelo nosso projeto, e buscar sempre pela legalidade da atividade.

A atividade informal é ruim em qualquer setor de desenvolvimento. Na mineração, ela se torna muito pior.

Porque ela impacta as comunidades, ela impacta o meio ambiente, ela deixa um legado que, se não for feito conforme a lei, conforme as regras, conforme as normas citadas pela Agência Nacional de Mineração, vai deixar um problema sério para as próximas gerações.

PREVISIBILIDADE E INVESTIMENTO

Leonardo Bortoletto: O Brasil tem muito recurso natural, é abundante aqui no país. O que a gente precisa fazer para que isso seja bem utilizado e a gente possa aproveitar o potencial econômico e social da maneira correta?

Clóvis Torres: O Brasil tem se utilizado dessa sua riqueza. A questão sempre é previsibilidade.

Quando você faz um investimento, você quer saber quando que o retorno desse investimento vai chegar. Infelizmente, hoje nós não temos isso.

O processo de licenciamento ambiental, e que não é uma particularidade só nossa, é um processo longo, é um processo difícil, com várias entidades separadas, participando individualmente, sem prazos para cumprir. Os prazos são geralmente dilatados e, se perde o prazo, nada acontece.

Essa lei nova publicada no ano passado, que entrou em vigor, ela traz prazos.

Então espero que isso seja uma grande melhora para a mineração. E eu acredito para todo desenvolvimento de projeto no Brasil.

Leonardo Bortoletto: Aí segurança traz segurança?

Clóvis Torres: Segurança. Porque hoje se joga com essa inação para muitas vezes matar um projeto, um projeto que poderia beneficiar muita gente.

Leonardo Bortoletto: É o que você falou no começo. Você sabe quando começa, mas não sabe que jeito nem quando termina.

Clóvis Torres: Exatamente.

Leonardo Bortoletto: Não gera emprego, não gera riqueza, assume-se que você vai fazer errado. Essa é a verdade. Vocês estão fazendo grandes investimentos aqui no Brasil. Do ponto de vista do investimento, essa é uma preocupação? E vocês avaliaram isso antes de vir para cá e mesmo assim resolveram vir. Mas eu entendo o seguinte: é um ponto de atenção para quem talvez não conheça detalhadamente o Brasil, porque você conseguiu a presidência, que conhece o dia a dia aqui do Brasil. Quem não conhece, foge do Brasil por conta dessa insegurança?

Clóvis Torres: Muita gente foge do Brasil.

A questão da mineração, como os demais recursos minerais, é que você não tem como sair com a sua mina na sacola e ir para outro país.

Leonardo Bortoletto: Então é aqui que nós estamos.

Clóvis Torres: Foi. É aqui que achamos. É na Amazônia. É em área proibida? De jeito algum. É em floresta nativa? Não. Nós estamos numa área de fazenda. Tem animal em extinção? Nenhum. Tem caverna? Não. É terra indígena? Não. Vamos usar água do rio? Não.

Leonardo Bortoletto: Então, todos os preceitos de sustentabilidade estão respeitados?

Clóvis Torres: Estão. Lá estamos conversando com a população.

Leonardo Bortoletto: Estão a favor?

Clóvis Torres: Sim.

Leonardo Bortoletto: As comunidades indígenas estão a favor?

Clóvis Torres: Sim. Todos os afetados, listados no termo de referência da FUNAI, disseram sim. Entregaram inclusive à Secretaria de Meio Ambiente uma carta pedindo que deixasse o projeto seguir.

Leonardo Bortoletto: Agora, como eu disse, outros players aparecem, outras entidades. Então, eu preciso entender. Todo mundo que é técnico envolvido olhou as premissas, olhou a sua execução, tudo OK, mas tem uma ação de alguém que se sente acima disso tudo que diz que você não deve continuar fazendo o que você está fazendo. Aí, eu entendi errado? É isso?

Clóvis Torres: É isso aí. É isso aí.

Leonardo Bortoletto: Incrível.

Clóvis Torres: É incrível. Tem coisas que realmente no Brasil são surreais.

São surreais. Infelizmente, é uma questão que está aí, todo o projeto está sujeito a esse tipo de interferência, mas nós estamos realmente confiantes, que é uma questão de tempo.

Como nós temos tido sucesso ultimamente, e não vou dizer que é porque eu cheguei e fiz alguma diferença, posso, sim, ter feito alguma diferença, mas os processos maturam.

As pessoas muitas vezes jogam com a lentidão de um julgamento, da quantidade de recursos que se tem para se chegar a uma conclusão de um processo.

Mas um dia a decisão é tomada e a decisão vai sempre, a meu ver, seguir o que é correto. E nós estamos 100% certos de que nós estamos fazendo um excelente projeto que vai beneficiar a todo mundo.

Inclusive a nós, lógico, mas a população e o estado do Pará, aos municípios envolvidos. Todos os que já referendaram o trabalho até agora previamente.

Então é uma questão de tempo.

RAIO X

No quadro Raio X, Clóvis Torres responde perguntas rápidas sobre previsibilidade regulatória, segurança nas decisões e processamento do ouro.

Leonardo Bortoletto: Crescimento econômico ou previsibilidade regulatória?

Clóvis Torres: Eu acho que ambos. A previsibilidade regulatória traz crescimento econômico. Crescimento econômico pressupõe que você tenha regras claras e que você saiba aonde você vai. O capital vai onde ele imagina que ele consiga trazer de volta algum retorno.

Se eu não tenho previsibilidade, dificilmente eu consigo trazer um investidor. Então essas duas questões para mim são muito ligadas, só que a previsibilidade é mais importante. Com ela eu consigo trazer recursos e com recursos eu consigo trazer o desenvolvimento econômico.

Leonardo Bortoletto: Velocidade nos processos ou segurança nas decisões?

Clóvis Torres: Segurança em decisões, sem dúvida alguma. Eu acho que velocidade nem sempre é bom.

Leonardo Bortoletto: Após sabendo que está seguro, agilidade?

Clóvis Torres: Sem dúvida.

Leonardo Bortoletto: Exportar riqueza ou gerar mais valor dentro do Brasil?

Clóvis Torres: Eu acho que existem produtos onde se gera mais valor, se processando internamente no Brasil. Eu acho que há produtos onde o Brasil tem sua vocação de ser exportador.

Em nosso caso, o ouro, ele já sai praticamente no seu estágio final. Ninguém gosta de processar, além disso, para uma refinaria, porque a refinaria vai numa certa direção do seu cliente final.

Então você produz o bullion, que é uma fase anterior justamente à refinaria, que aquilo é quase o ouro puro.

Leonardo Bortoletto: Então, porque a gente tende a achar que o ouro é feito só para joias, né?

Clóvis Torres: E, na verdade o ouro, na sua grande maioria, ele é comprado por países do mundo para ter suas reservas em ouro, como forma de garantias que não estão entregues a uma situação diferente como, por exemplo, hoje existe com o Trump no mundo, que criou uma certa dúvida com relação ao dólar e o futuro do dólar.

Então compra-se ouro e se faz suas reservas de país. Famoso lastro. Então você vende hoje para clientes específicos que fornece para esses tesouros nacionais de diversos países. Hoje o maior uso do ouro é nesse sentido.

Leonardo Bortoletto: Então, no tocante à mineração, podemos entender que a gente chegou aqui no nível de processamento ideal para poder fazer a exportação?

Clóvis Torres: Sim. Hoje não é cavar e entregar. Você tira da terra, você limpa, você flota, você processa e você entrega. Você só não derrete para entregar o ouro puro.

PERGUNTAS DE OURO

Leonardo Bortoletto: Quem ganha mais quando uma riqueza natural é explorada? A população local, o país ou as empresas?

Clóvis Torres: Eu acho que é uma conjunção. Como a gente falou anteriormente, há uma geração de emprego que beneficia a população, há o pagamento de tributos que beneficia a União, beneficia os estados, beneficiam os municípios e isso indiretamente beneficia a população também.

E a empresa, que lógico, ela está ali buscando o lucro, ter uma receita, então ela vai se beneficiar também.

Então não é uma questão que um exclui o outro, não. Só funciona e só realmente tem como funcionar se todos os três ganham.

É uma concessão pública, eu preciso do Estado, eu preciso do Governo Federal, eu estou num município, eu preciso daquele município, eu estou num estado inserido no estado que está fazendo o meu licenciamento, eu preciso daquele estado.

E é absolutamente normal que eu remunere por isso e a população também, que está ali, vai ter um incremento populacional.

Então eu preciso ajudar para não haver qualquer tipo de problema com esse incremento. Eu preciso ajudar em vagas em escola, eu preciso ajudar em vagas em hospitais, eu preciso do apoio do Estado para segurança pública, porque eu vou trazer mais gente.

Então isso tudo traz impactos e benefícios, e o benefício, sem dúvida, com geração de valor, geração de riqueza, geração de empregos e com maiores oportunidades para todos.

RESPONDE AÍ, CHEFE

Ricardo Faria: Em Contagem a gente prima pelo diálogo com o empresariado. A gente trabalha muito na modernização das legislações, na informatização dos fluxos, mas eu queria saber o que é relevante, o que importante para o CEO de empresa na tomada de decisão na hora de investir em uma cidade.

Clóvis Torres: Prefeito Ricardo, um prazer. Muito obrigado aí pela pergunta.

O relacionamento com a comunidade através da prefeitura, da Câmara de Vereadores ou da população organizada, ele é fundamental para nossa licença para operar. É extremamente importante para nós que haja uma parceria.

Nós não estamos fazendo um investimento aqui de curto prazo, de médio prazo. É um investimento de longo prazo. É importante haver uma parceria, que nós trabalhemos juntos para desenvolver outras atividades, não só as que vão atender o projeto.

Como eu já havia aqui mencionado, a área de construção, uniformes, padarias, diversão em geral, mas aquelas outras que serão necessárias não só para o projeto, mas que sobrevivam a ele, que venham posteriormente ao projeto a gerar riquezas, continuem a gerar riquezas, para não haver, digamos, um desmonte de um setor daquela comunidade, daquela cidade, pela área econômica ter saído da cidade.

Então, a gente trabalha com a prefeitura, seja diretamente, seja por consultorias, mostrando como que há essa possibilidade de desenvolvimento paralelo de outras funções, de outros setores econômicos, que sejam ali, crie uma perpetuidade, que vá além da mineração.

E isso, eu diria que é impossível sem o apoio da sociedade através de seus representantes, seja na Câmara de Vereadores, seja como o próprio prefeito, como a pessoa principal do executivo municipal e, portanto, a pessoa mais importante para lidarmos quando formos falar do interesse daquela comunidade toda.

CONSELHOS FINAIS

Leonardo Bortoletto: Quero aproveitar você aqui, dois conselhos diretos para quem quer construir carreira em grandes empresas como você construiu.

Clóvis Torres: Eu acho que primeiro, eu diria, paciência. Hoje a turma está muito apressada.

Mas eu acho que, tendo passado boa parte de minha vida dentro de empresas, eu diria que resiliência é importante, sempre a busca de novos desafios.

Eu acho que isso é natural quando você está numa empresa e você quer crescer. Então você vai buscar novos desafios, está sempre atualizado.

Acho que as pessoas acham que estudou uma vez, aquilo vem através do trabalho. Não, não vem mais através do trabalho. Já se foi o tempo.

Hoje vem por estudos, novos cursos, nova capacitação, de buscar este futuro tecnológico, lógico, com onde você pode aplicar aquilo no seu dia a dia.

E, sem dúvida, acreditar no objetivo social da empresa. O que ela exige? O que ela está buscando? Aonde que ela quer ir?

Eu acho que essa questão é extremamente importante se perguntar mesmo na primeira entrevista: onde que essa empresa quer ir, quer me levar junto? E isso é fundamental.

E, sem dúvida, sempre estar atento à questão de ESG em volta. Meio ambiente, a própria sociedade e a governança da empresa, isso tem que andar de braços dados.

Não há como ser diferente. Qualquer empresa hoje tem seu código de conduta, tem a sua integridade. Qualquer falha nesse sentido, ela pode ser inclusive fatal para a empresa.

Então essas coisas têm que ser muito bem cuidadas a todo momento.

E eu falo isso porque cada empresa tem sua filosofia, a filosofia seja dada pelo conselho de administração, naquelas empresas sem dono, ou pela família dona, quando você trabalha numa empresa familiar, uma empresa de dono.

É importante você descobrir e ver se aquela missão, se aquela visão combina com o que você quer para sua vida.

E se combinar, vá em frente e assuma o desafio e use de todas as suas forças para conquistar aqueles sonhos que você gostaria de ter na sua vida profissional.

O episódio completo do Itatiaia Negócios Cast está disponível no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.

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Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.

 

 

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