Belo Horizonte
Itatiaia

Condor: da escova de dentes aos 300 mil pontos de venda

Alexandre Wiggers, presidente da Condor S.A., contou que a companhia investe fortemente na modernização da marca, das embalagens e da experiência do consumidor

Por
Alexandre Wiggers construiu uma carreira de 38 anos dentro da empresa, passando por diferentes áreas até assumir a presidência, em 2012 • Reprodução | Youtube Itatiaia

Fundada em 1929 a partir da fabricação de escovas de dente, a Condor se transformou em uma das maiores indústrias de bens de consumo do Brasil. O que começou com um único produto baseado na tecnologia de cerdas deu origem a um portfólio com mais de 2.400 itens, presença em mais de 300 mil pontos de venda e exportações para mais de 20 países.

No Itatiaia Negócios Cast, o presidente da Condor S.A., Alexandre Wiggers, relembrou a trajetória da companhia e também sua própria história dentro da organização.

Contratado aos 16 anos como office boy, Wiggers construiu uma carreira de 38 anos dentro da empresa, passando por diferentes áreas até assumir a presidência em 2012. Hoje, lidera uma companhia com 1.780 colaboradores e faturamento próximo de R$ 1 bilhão.

“Comecei como office boy”, relembrou o executivo ao contar a trajetória que o levou ao principal cargo da empresa.

Segundo ele, a Condor cresceu apoiada em uma competência desenvolvida desde os primeiros anos de operação: o domínio da tecnologia de aplicação de cerdas.

“O primeiro produto que a Condor fez foi uma escova de dente. Depois vieram todos os outros produtos que levavam inicialmente cerdas”, explicou.

A primeira escova de dentes produzida pela companhia abriu caminho para uma série de categorias que surgiram a partir desse conhecimento. Vieram as vassouras, escovas de cabelo, pincéis e diversos outros produtos que, ao longo das décadas, ampliaram o alcance da marca no mercado brasileiro.

Hoje a empresa atua em seis grandes negócios: limpeza doméstica, higiene bucal, pintura imobiliária, limpeza profissional, beleza e materiais artísticos e escolares.

“Nós lideramos alguns deles ou somos segundo ou terceiro colocados, mas em todos os negócios temos uma posição de destaque”, afirmou.

A presença nacional da companhia também impressiona. Os produtos da marca chegam a mais de 300 mil pontos de venda, entre supermercados, farmácias, papelarias, lojas de material de construção, conveniências e diversos outros canais de distribuição.

“Nós chegamos a mais de 300 mil pontos de venda no Brasil”, destacou.

Além do crescimento comercial, Wiggers atribui parte do sucesso da companhia à cultura organizacional construída ao longo das décadas.

Para ele, equipes fortes são fundamentais para a sustentabilidade dos negócios e para a capacidade de adaptação das organizações.

“Uma equipe forte consegue corrigir erros de estratégia. Já uma equipe fraca compromete até mesmo uma boa estratégia”, afirmou.

O executivo também defende um modelo de gestão baseado em autonomia, confiança e transparência.

“A gente dá autonomia para a equipe trabalhar, cobra resultado, alinha metas e trabalha dessa forma. Isso é extremamente importante para formar times competentes”, disse.

A companhia também segue apostando na indústria nacional. Mesmo diante dos desafios relacionados ao custo operacional e à carga tributária brasileira, a maior parte da produção continua concentrada no país.

“O custo de operação no Brasil é um desafio”, afirmou. Apesar disso, ele garante que a estratégia da companhia permanece inalterada.

“Produzir no Brasil, sem dúvida”, respondeu ao ser questionado sobre o tema durante o quadro Raio X do episódio.

Atualmente, cerca de 15% dos produtos comercializados pela Condor são importados, principalmente itens complementares ao portfólio.

“Nós sabemos produzir escova de dente, vassoura, escova de cabelo e pincel. Existem produtos que são complementos de linha e fazem mais sentido serem adquiridos de parceiros”, explicou.

Outro foco da empresa está na inovação. Recentemente, a Condor criou uma estrutura dedicada exclusivamente ao tema, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novos produtos, processos e soluções para os diferentes negócios da companhia.

“A inovação sempre esteve presente na Condor. Ela não estaria chegando aos 97 anos se não tivesse inovado muito ao longo da sua história”, afirmou.

A sustentabilidade também integra a estratégia corporativa. A empresa possui comitê ESG, participa de fóruns especializados e prepara a publicação de seu sétimo relatório de sustentabilidade.

Para os próximos anos, a meta é continuar crescendo. Após expandir mais de 130% nos últimos cinco anos, a companhia pretende dobrar novamente de tamanho e fortalecer ainda mais a marca rumo ao centenário, que será celebrado em 2029.

“Nós enxergamos a Condor dobrando de tamanho de novo”, afirmou.

Segundo ele, além do crescimento, a companhia investe fortemente na modernização da marca, das embalagens e da experiência do consumidor.

Ao longo da entrevista, Alexandre Wiggers também falou sobre liderança, inovação, exportações, indústria brasileira e os aprendizados acumulados ao longo de quase quatro décadas dentro da mesma empresa.

O episódio completo está disponível no Itatiaia Negócios Cast, com novos episódios às terças-feiras, às 19h, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.

Grandes nomes. Grandes histórias. Grandes decisões.

Itatiaia Negócios Cast. Onde líderes se encontram.

Por

Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.