A redução dos teores médios dos minérios disponíveis tem levado a indústria mineral a rever processos e investir em novas rotas tecnológicas para garantir o fornecimento de insumos industriais.
Minerais de baixo teor, antes descartados ou considerados economicamente inviáveis, passam a ganhar espaço diante da pressão por maior aproveitamento dos recursos naturais e da necessidade de assegurar matérias-primas estratégicas.
Desafios no processamento de minerais de baixo teor
O principal desafio no processamento de minérios de baixo teor está na baixa concentração do mineral de interesse em relação ao volume total de material extraído.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade que representa a indústria mineral no país, esse cenário exige maior movimentação de massa, eleva o consumo de energia e água e aumenta os custos operacionais nas etapas de beneficiamento.
Além disso, minérios menos concentrados costumam apresentar maior complexidade mineralógica, o que dificulta a separação eficiente dos componentes desejados e pode comprometer a qualidade do insumo final destinado à indústria.
Tecnologias ampliam o aproveitamento dos minérios
De acordo com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o avanço de tecnologias de concentração e beneficiamento tem sido fundamental para ampliar o aproveitamento de minerais de baixo teor.
Técnicas mais precisas de caracterização mineralógica, aliadas a equipamentos de maior eficiência, permitem identificar rotas mais adequadas para cada tipo de minério.
O uso de sensores, automação de processos e controle em tempo real também contribui para reduzir perdas e aumentar a recuperação do mineral de interesse, tornando viável o aproveitamento de jazidas antes marginalizadas.
Ajustes nas etapas de beneficiamento
As etapas clássicas do beneficiamento mineral como britagem, moagem, flotação e separação magnética, podem ser ajustadas para melhorar o rendimento em minérios de baixo teor.
Segundo a Metso, empresa global fornecedora de tecnologias e equipamentos para mineração e processamento mineral, a adequação da granulometria na britagem e na moagem é decisiva para liberar adequadamente o mineral valioso sem gerar excesso de finos.
No caso da flotação, ajustes em reagentes, tempo de residência e controle do pH permitem aumentar a seletividade do processo. Já a separação magnética e gravítica pode ser combinada com outras técnicas para melhorar a recuperação, especialmente em minérios com mineralogia complexa.
Viabilidade econômica das rotas de processamento
A definição de uma rota economicamente viável para minerais de baixo teor depende de critérios técnicos e financeiros. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), agência científica que monitora a produção e o uso de minerais no mundo, fatores como taxa de recuperação, consumo específico de energia, disponibilidade de água, custos de reagentes e valor de mercado do insumo final são determinantes para a viabilidade do projeto.
Além disso, a estabilidade da rota ao longo do tempo e a capacidade de adaptação a variações do minério alimentado são aspectos críticos para garantir previsibilidade operacional e retorno econômico.
Papel das plantas piloto na validação das rotas
O uso de plantas piloto é uma etapa essencial na validação de rotas de obtenção de insumos a partir de minérios de baixo teor. Segundo o CETEM, esses testes em escala intermediária permitem simular condições reais de operação, identificar gargalos do processo e ajustar parâmetros antes da implantação industrial.
As plantas piloto reduzem riscos técnicos e financeiros, fornecendo dados confiáveis sobre desempenho, custos e eficiência do processo. Com isso, a indústria consegue tomar decisões mais seguras sobre investimentos em novas rotas de beneficiamento e aproveitamento de recursos minerais.
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