Imóveis em BH são baratos em comparação ao resto do mundo, explica presidente da Abrainc

Luiz França explica que o grande problema de acesso aos imóveis está nos juros altos e na renda apertada

Luiz Antônio França, presidente da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias)

Durante sua participação no Itatiaia Negócios Cast, Luiz França, presidente da Abrainc, trouxe um dado que contraria a percepção comum de grande parte da população: apesar da sensação de preço elevado, o imóvel no Brasil ainda é barato quando comparado ao cenário internacional.

Segundo França, uma pesquisa internacional que compara o valor do metro quadrado em dólar coloca cidades brasileiras muito atrás no ranking global de preços.

“Existe uma pesquisa que analisa cidades do mundo inteiro e mede o preço do imóvel em dólar por metro quadrado. Belo Horizonte, por exemplo, aparece na posição 337 do ranking. Ou seja, existem 336 cidades mais caras do que Belo Horizonte no mundo”, afirmou.

Na avaliação do presidente da Abrainc, essa diferença mostra que o problema central não está no preço absoluto do imóvel, mas sim na relação entre valor, renda e custo do crédito no Brasil.

“O imóvel no Brasil não é caro quando você compara com outras cidades do mundo. O grande problema é o juro alto e a renda apertada, que dificultam o acesso”, explicou.

França destacou ainda que, mesmo com juros elevados, o imóvel continua sendo um ativo relevante de proteção patrimonial. Ele lembrou que, nos últimos anos, a valorização dos imóveis acompanhou indicadores conservadores da economia.

“Nos últimos dez anos, o imóvel no Brasil valorizou algo muito próximo da Selic. Quem comprou, morou e depois vendeu teve um retorno equivalente a um investimento extremamente conservador”, disse.

Outro ponto ressaltado foi o comportamento do mercado de aluguel. De acordo com França, os aluguéis cresceram de forma acelerada nos últimos anos, pressionando famílias e tornando a compra uma alternativa racional em muitos casos.

“O aluguel entre 2020 e 2024 subiu cerca de 63%, enquanto a inflação ficou em torno de 33%. Em muitos casos, a parcela do financiamento ficou muito próxima do valor do aluguel”, afirmou.

Para o presidente da Abrainc, esse cenário reforça a tese de que o imóvel brasileiro ainda tem espaço para valorização, especialmente se o país conseguir reduzir os juros e melhorar o ambiente econômico.

“O Brasil crescendo, com aumento do poder aquisitivo da população, vai naturalmente corrigir o valor dos imóveis. Eles ainda estão baratos quando olhamos para o potencial do país”, avaliou.

França também lembrou que o crédito imobiliário possui uma característica que reduz o risco no longo prazo: a possibilidade de portabilidade.

“Mesmo que o juro esteja alto hoje, o financiamento imobiliário permite portabilidade. Se a taxa cair no futuro, o comprador pode migrar para uma condição melhor”, explicou.

A análise apresentada no episódio reforça um dos principais pontos defendidos por Luiz França ao longo da entrevista: o desafio do mercado imobiliário brasileiro não é a falta de demanda, mas sim o custo do crédito e a instabilidade macroeconômica.

“Déficit habitacional existe, demanda existe. O que falta é criar um ambiente econômico que permita às pessoas acessar esse imóvel”, concluiu.

O episódio com Luiz França mostra que, por trás da sensação de preços elevados, há um mercado ainda subavaliado em termos globais, e, com potencial de crescimento caso o Brasil consiga avançar em ajustes econômicos estruturais.

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Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.

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