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Ampliação de data centers e demanda por minerais críticos representam oportunidade para o Brasil

Segundo maior país em reservas de terras raras no mundo, Brasil pode ganhar espaço no mercado de tecnologia a partir de seus recursos minerais abundantes

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Minerais críticos e estratégicos
Expansão de data centers a partir de minerais raros abre espaço para produtos brasileiros no mercado de tecnologia • Reprodução | Youtube Itatiaia

Em todo o mundo, a construção de data centers tem ganhado relevância. Até 2021, existiam 500 mil unidades no mundo. Em 2026, esse número chegou a oito milhões. Segundo levantamento da consultoria JLL, o mercado deve dobrar sua capacidade no Brasil até 2030.

Os data centers são grandes prédios e complexos que abrigam computadores de alto desempenho, servidores e sistemas de armazenamento de dados utilizados, entre outras aplicações, pela inteligência artificial. Esses equipamentos utilizam placas e chips constituídos de cobre, silício e terras raras, minerais abundantes no Brasil e em Minas Gerais.

Para o especialista em separação de terras raras André Pimenta, o país tem uma grande oportunidade nesse cenário.

“Eu vejo que os elementos de terras raras, os depósitos de argila iônica, de rocha dura, como a gente costuma chamar, são essa oportunidade para o Brasil se tornar esse fornecedor de tecnologia que a gente tanto almeja. É uma oportunidade única. Costumamos brincar que é o cavalo passando encilhado. Precisamos montar e seguir em frente, porque, depois que ele passar, não tem mais como, já perdemos a oportunidade”, afirma.

Coordenador do Instituto de Terras Raras da Federação das Indústrias de Minas Gerais, André Pimenta • Fábio Vieira
Coordenador do Instituto de Terras Raras da Federação das Indústrias de Minas Gerais, André Pimenta • Fábio Vieira

Entre os minerais utilizados pela indústria tecnológica, o silício se destaca por ser matéria-prima para a fabricação de chips. Jônatas Carneiro, pesquisador em geociências e coordenador executivo do Serviço Geológico do Brasil (SGB), explica a diferença entre possuir recursos minerais e desenvolver uma indústria capaz de agregar valor a eles.

“Quando a gente fala de alta tecnologia, estamos falando de uma indústria. Ouvimos muito falar do Vale do Silício, lá na Califórnia, mas lá não tem silício nenhum. O silício não vem de lá. Muitas vezes, vem daqui do nosso país. Então, por que apenas lá é o Vale do Silício? Porque lá eles transformam o silício em alta tecnologia”, detalha.

O pesquisador também explica que o avanço do setor tecnológico amplia a necessidade de energia para manter esses equipamentos em funcionamento. Grandes consumidores de eletricidade, os data centers também dependem de uma cadeia de produção energética que demanda minerais críticos.

“Esses minerais críticos são críticos justamente por isso. Existe uma demanda crescente do setor de alta tecnologia e também do setor de energia, quando a gente fala de data centers. Estamos falando de produção de alta tecnologia e muita energia. Só que o mundo tomou a decisão de migrar da energia fóssil para uma matriz cada vez mais renovável e limpa. Quando pensamos em energia limpa, pensamos em painéis solares, turbinas eólicas e talvez até nas usinas hidrelétricas. E, nisso, os minerais críticos vão ser muito demandados, porque, para produzir uma turbina eólica, você precisa de cerca de três quilos de terras raras. Você vai precisar de toneladas e toneladas de alumínio, de ferro. A gente vai precisar de fios de cobre”, explica.

Jônatas Carneiro, pesquisador em geociências e coordenador executivo do Serviço Geológico do Brasil (SGB) • Reprodução Itatiaia
Jônatas Carneiro, pesquisador em geociências e coordenador executivo do Serviço Geológico do Brasil (SGB) • Reprodução Itatiaia

 

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

 

 

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