Inteligência artificial amplia oportunidades na indústria, mas setor enfrenta falta de profissionais qualificados
Encontro Nacional de Automação, em Belo Horizonte, reúne empresas, especialistas e estudantes; jovens do Senai destacam oportunidades e a importância da supervisão humana no uso da IA

A inteligência artificial já faz parte da rotina de jovens que estão se preparando para trabalhar com tecnologia e automação industrial. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Cloud Code são utilizadas no desenvolvimento de sistemas e na execução de projetos que podem ser aplicados em situações reais do mercado. Ao mesmo tempo, a expansão dessas tecnologias aumenta a necessidade de profissionais qualificados.
Esse cenário está em debate na sexta edição do Encontro Nacional de Automação (ENA 2026), realizada nesta quarta (4) e quinta-feira (5), no Expominas, em Belo Horizonte. O evento reúne empresas, especialistas, estudantes e representantes da indústria para discutir inovação, transformação digital e oportunidades no mercado de trabalho.
Entre os participantes estão jovens aprendizes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que já utilizam ferramentas de inteligência artificial durante a formação em desenvolvimento de sistemas.
Aos 18 anos, Manuela Maier conta que a tecnologia é utilizada diariamente para integrar recursos de inteligência artificial a sistemas digitais e desenvolver soluções para clientes.
“Você tem um sistema web que pode integrar com uma inteligência artificial e gerar ganhos para o seu cliente”, explica.
O estudante Richard Henrique, também de 18 anos, destaca que as ferramentas ajudam a acelerar o desenvolvimento de projetos e automatizar processos que podem ser utilizados em situações reais.
Apesar dos ganhos de produtividade, os jovens ressaltam que a inteligência artificial não elimina a necessidade de conhecimento técnico. Pelo contrário: é preciso saber avaliar os resultados produzidos pelas ferramentas.
“Coisas que demorariam muito tempo podem ser aceleradas a um nível absurdo. Só que a IA tem a tendência de cometer muitos erros. Então é muito importante você ter um conhecimento prévio para fazer a supervisão se o que ela fez está realmente correto”, afirma Breno Caike, de 18 anos, também aprendiz do Senai.

Falta de mão de obra qualificada desafia indústria
A necessidade de profissionais preparados para acompanhar a transformação tecnológica é um dos desafios do setor industrial. Para Tasso Galhano, presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Minas Gerais (SINAAES), existe um descompasso entre as vagas oferecidas pelas empresas e a qualificação dos trabalhadores disponíveis.
“Você tem uma taxa de pessoas procurando emprego muito grande, uma taxa de empresas procurando mão de obra muito grande e eles não se encontram no meio do caminho. E eu vejo o Senai como um ponto estratégico para isso”, afirma.
Segundo o dirigente, a formação profissional e as capacitações oferecidas pelo Senai são importantes para aproximar os trabalhadores das demandas das empresas, especialmente nas áreas de automação, inteligência artificial e tecnologia industrial.
Encontro discute futuro da indústria
Realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e pela Gerdau, o Encontro Nacional de Automação está na sexta edição. A programação inclui palestras, painéis e debates sobre inteligência artificial aplicada à indústria, eficiência energética, Indústria 4.0, rastreabilidade, robótica colaborativa e segurança de redes industriais.
A proposta é apresentar soluções tecnológicas capazes de aumentar a produtividade, reduzir custos e fortalecer a competitividade da indústria brasileira.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



