Setor industrial avança com modernização e apoio da tecnologia
Tecnologia aprimora processos e amplia oportunidades na indústria

A inteligência artificial (IA) e outras tecnologias têm transformado o mercado de trabalho na indústria. Embora algumas funções possam ser automatizadas e deixar de existir, especialistas e empresas apontam que a modernização também cria novas oportunidades e exige profissionais mais qualificados. A tendência é de uma mudança no perfil das ocupações, com maior integração entre trabalhadores e máquinas.
O economista e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Ricardo Henriques, acredita que postos de trabalho em alguns setores devem ser afetados pela transformação tecnológica.
“É quase na mesma proporção que alguns trabalhos deixarão de existir, serão substituídos por outros e vários dos trabalhos que já existem tenderão a ficar mais qualificados. Ou seja, é possível que, em algum setor específico, em alguma agenda específica, a transição tecnológica implique automação de processos e redução da contratação”, comenta.

Diversas empresas já surgem com a tecnologia como base de suas operações. A adoção de ferramentas digitais também ajuda a contornar a falta de mão de obra qualificada, ao permitir a contratação de profissionais de diferentes estados e até de outros países por meio do trabalho remoto.
Felipe Santanna, gerente da Concert Lab, empresa sediada em Belo Horizonte que desenvolve soluções tecnológicas para setores industriais, explica que a atuação remota ampliou o acesso a profissionais especializados.
“Prospectamos profissionais em todo o território nacional e a gente tem cases também até de profissionais de fora do Brasil que trabalham para a gente nessa parte de tecnologia. Já tivemos profissionais de Cuba e de Moçambique trabalhando em alguns projetos de desenvolvimento”, conta.

Tecnologia e novas oportunidades
Com a modernização dos processos, novas possibilidades são incorporadas ao setor industrial. O membro do Conselho de Inovação e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Rodrigo Carazolli, reforça a importância da tecnologia na criação e transformação das oportunidades profissionais.
“Até olhando para a história do mundo recente, de outras tecnologias que foram incorporadas, eu não vejo que ela vai causar grandes rupturas em relação a emprego ou desemprego. Na verdade, o que eu vejo é uma mudança de comportamento, uma migração no perfil dessas vagas, dessas oportunidades”, afirma.

O CEO de uma empresa de esquadrias de alumínio na Grande Belo Horizonte, Flávio Guimarães, afirma que, apesar dos avanços tecnológicos, a atuação humana continua necessária para garantir a eficiência dos processos.
“Nós hoje já usamos inteligência artificial aqui no nosso departamento técnico. Então, o que antes era feito unicamente por engenheiros técnicos, hoje é feito pela IA, com a supervisão desses engenheiros. Meus técnicos hoje supervisionam o que a IA está fazendo para entender se ela fez certo. E, à medida que ela vai aprendendo — e essa é realmente uma característica dela, aprender e se aperfeiçoar —, cada vez menos eles têm que interagir e corrigi-la”, explica.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



