Alto grau de desenvolvimento tecnológico da indústria aumenta demanda por especialização
Tecnologia, inteligência artificial, digitalização e sustentabilidade estão entre as competências mais demandadas pelo mercado

As transformações tecnológicas estão redefinindo o perfil dos profissionais da indústria. A incorporação de conhecimentos que vão além das habilidades técnicas tem acelerado as transformações no mercado de trabalho. Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2030, 39% das habilidades exigidas pelos empregadores devem mudar.
Aos 20 anos, o estudante do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Sistema FIEMG), Eduardo Pacífico, já observa essas mudanças no mercado em que pretende atuar.
“Hoje tem muitos serviços que estão procurando mão de obra qualificada. Quando você vai levar um carro naquela oficina de bairro e já não está mais atendendo os carros mais novos porque tem mais tecnologia, tem mais sistemas tecnológicos embarcados no carro e hoje você precisa de uma mão de obra qualificada para ter acesso a esses sistemas, para ter um certo conhecimento para realizar manutenção nesses sistemas”, conta.

Líder no fornecimento de insulinas humanas e de ação prolongada, a Biomm, em Nova Lima, é uma indústria biofarmacêutica de alta tecnologia. Esse perfil exige profissionais cada vez mais qualificados. Segundo o diretor de operações da empresa, Luciano Machado, encontrar essa mão de obra é um dos principais desafios do setor.
“Dentro do mercado que nós atuamos, de biotecnologia, e especialmente nesse mercado de medicamentos injetáveis estéreis, é importante que a mão de obra seja especializada desde o chão de fábrica até as equipes de analistas de processo, de gerentes de processo e das áreas auxiliares também. Assim como a garantia da qualidade, sistema de controle de qualidade, suprimentos e tudo mais. Então é um grande desafio para que a gente consiga não só contratar pessoas especializadas já na sua formação, mas especialmente para a mão de obra de chão de fábrica, que a gente desenvolva essas pessoas para que elas sejam capazes e estejam capacitadas para produzir medicamentos biotecnológicos, estéreos, na melhor condição”, explica.

A adoção de tecnologias como a inteligência artificial, além de ampliar as exigências sobre a qualificação profissional, também representa uma oportunidade para que as empresas aumentem a produtividade.
Autor de pesquisas sobre mercado de trabalho, o professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e ex-diretor do Banco Mundial, Carlos Braga, afirma que os avanços da inteligência artificial podem impulsionar o crescimento econômico por meio do aumento da produtividade.
“Se você aceitar as proposições, vamos dizer, otimistas sobre a inteligência artificial, é que ela vai ter um impacto muito significativo na produtividade das economias. E por que isso é importante? Bem, o Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, costumava dizer, produtividade não é tudo na vida, mas no longo prazo é quase tudo, porque, no final das contas, o crescimento econômico de qualquer sociedade está diretamente associado com o aumento da produtividade do trabalho”, discorre.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



