Setor automobilístico impulsiona produtividade com inteligência artificial e novas tecnologias
Adoção de soluções tecnológicas aumenta a eficiência, fortalece a competitividade e exige mão de obra mais qualificada

O Brasil ocupa a 94ª posição entre 184 países no ranking de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O resultado indica que a economia brasileira produz menos do que seu potencial. Entre os fatores que limitam o desempenho estão as dificuldades financeiras enfrentadas pelas indústrias para investir em tecnologia, a infraestrutura precária e os elevados custos operacionais. Nesse cenário, setores estratégicos, como o automobilístico, têm ampliado o uso de inovação para elevar a produtividade e a competitividade.
O professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e ex-diretor do Banco Mundial, Carlos Braga, afirma que a baixa produtividade é o principal desafio econômico do país.
"Esse é o calcanhar de Aquiles da economia brasileira. Entre 1950 e 1980, a produtividade do trabalho crescia cerca de 4% ao ano. De 1980 para cá, esse crescimento caiu para menos de 1% ao ano, em média. Hoje, a produtividade do trabalhador brasileiro equivale a cerca de 25% da produtividade do trabalhador americano", afirma.

Inteligência artificial amplia eficiência
A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de diversas empresas como ferramenta para aumentar a eficiência operacional e apoiar o trabalho das equipes. O diretor de Tecnologia da Localiza, maior locadora de veículos da América do Sul, Bruno Santos, afirma que a tecnologia se tornou indispensável para a empresa.
"A inteligência artificial é cada vez mais um tema intrínseco à nossa corporação. Queremos que todos os colaboradores utilizem IA no dia a dia para se tornarem mais eficientes e ampliarem sua geração de valor. Na área de tecnologia isso já acontece em larga escala, especialmente no desenvolvimento de software. Além disso, queremos usar a inteligência artificial para transformar a jornada dos clientes. Hoje já é possível alugar, assinar ou comprar um carro da Localiza pelo ChatGPT", explica.

A cadeia automotiva responde por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O setor movimenta aproximadamente R$ 223 bilhões por ano e desempenha papel importante na atração de investimentos, no desenvolvimento tecnológico e na expansão da infraestrutura.
Para Glauber Fullana, vice-presidente sênior de Manufatura da Stellantis, fabricante de marcas como Fiat e Jeep, a transformação tecnológica também aumenta a demanda por profissionais qualificados, um dos principais desafios enfrentados pela indústria.
"É fundamental. Por mais que tenhamos robôs, tecnologia e inovação, precisamos de profissionais capacitados para lidar com tudo isso. Desde a manutenção até o desenvolvimento, são necessárias pessoas cada vez mais qualificadas para operar essas tecnologias. A aplicação da inteligência artificial exige profissionais preparados para entender como utilizá-la da melhor forma possível como suporte às pessoas", afirma.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



