Custo Brasil pauta primeiro debate do ciclo Indústria do Eloos Itatiaia
Evento de encerramento do quinto ciclo Eloos Itatiaia reúne os principais nomes da indústria para debater os desafios e as potencialidades do setor

Durante a programação do ciclo Indústria do projeto Eloos Itatiaia, o primeiro painel reuniu especialistas e gestores públicos para discutir o Custo Brasil e os desafios da competitividade no mercado global. Participaram do debate Rubens Menin, presidente do Conselho de Administração da Rádio Itatiaia; Gladstone Lobato, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (Fetcemg); Aldemir Drummond, professor e coordenador do Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da Fundação Dom Cabral (FDC); e Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Com o tema "Custo Brasil: defesa comercial e logística na disputa pelo mercado global", o painel, mediado pela jornalista Muriel Porfiro, âncora da CNN Brasil e da CNN Money, discutiu os principais fatores que reduzem a competitividade da indústria brasileira. Entre os pontos destacados estiveram a elevada carga tributária, a burocracia, os juros elevados, as deficiências de infraestrutura e a necessidade de fortalecer os mecanismos de defesa comercial diante da concorrência internacional.
Na abertura do debate, Rubens Menin afirmou que empreender no Brasil continua sendo um desafio em razão do chamado Custo Brasil. Segundo ele, embora alguns entraves tenham mudado ao longo dos anos, a burocracia, a elevada carga tributária e a baixa abertura da economia ainda comprometem a competitividade do país. O empresário também criticou o atual patamar dos juros, que, em sua avaliação, dificulta investimentos, paralisa empresas e compromete o crescimento econômico.
"O grande impeditivo hoje é a taxa de juros. Conheço empresas que estão paradas porque não conseguem suportar esse custo. Precisamos tratar o déficit público e discutir a política monetária com mais efetividade", afirmou.
Infraestrutura em debate
A infraestrutura também apareceu como um dos principais gargalos para o desenvolvimento da indústria. Gladstone Lobato destacou a importância do setor de transporte para a economia mineira e lembrou que Minas Gerais concentra mais de 30,5 mil empresas transportadoras, cerca de 190 mil trabalhadores e mais de 300 mil caminhões registrados.
Segundo ele, apesar da dimensão da malha rodoviária estadual, a qualidade das estradas reduz a produtividade e aumenta os custos logísticos. Para o dirigente, a falta de investimentos faz com que Minas Gerais perca competitividade.
"A grande trava que vemos no estado, além da carga tributária, é a infraestrutura. Precisamos aumentar a produtividade e criar políticas públicas voltadas para esse setor", afirmou.
Cenário externo
Ao abordar a inserção do Brasil no mercado internacional, Aldemir Drummond destacou que o país reúne condições favoráveis para ampliar sua presença na economia global, especialmente pela abundância de recursos naturais e commodities estratégicas. No entanto, segundo ele, é necessário aumentar a produtividade e agregar valor às exportações.
O professor observou que, embora o Brasil apresente bom desempenho nas exportações, a participação de produtos industrializados vem diminuindo ao longo dos anos. Para ele, o desenvolvimento econômico depende da sofisticação da estrutura produtiva e da transformação de matérias-primas em bens de maior valor agregado.
Defesa comercial
Outro tema recorrente foi a necessidade de fortalecer os instrumentos de defesa comercial. Flávio Roscoe afirmou que a indústria brasileira enfrenta, simultaneamente, problemas internos, como o aumento do Custo Brasil, e desafios externos, provocados pela intensificação das disputas comerciais entre países.
Segundo ele, mecanismos como o antidumping — previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para combater a venda de produtos abaixo do preço de mercado — precisam ser aplicados de forma mais ágil para proteger a produção nacional da concorrência considerada desleal.
Roscoe também voltou a criticar os juros elevados, argumentando que o cenário reduz o interesse em investir na produção, diminui o valor das empresas e compromete a geração de empregos e renda.
Ao retornar ao debate, Rubens Menin reforçou que o crescimento econômico depende diretamente de investimentos em infraestrutura. O empresário citou a China como exemplo de país que ampliou sua capacidade industrial a partir de grandes investimentos em portos, aeroportos e logística.
"O Brasil precisa investir em infraestrutura. Não existe desenvolvimento industrial sem uma base logística eficiente", afirmou.
Na mesma linha, Gladstone Lobato defendeu maior participação da iniciativa privada na expansão da infraestrutura logística. Segundo ele, o setor de transporte não se opõe à cobrança de pedágios, desde que os valores sejam compatíveis com a qualidade das rodovias oferecidas.
"O setor está preparado, com caminhões modernos e mão de obra qualificada, mas falta infraestrutura para acompanhar essa evolução", disse.
Oportunidades para a indústria
Ao tratar das oportunidades para a indústria brasileira, Aldemir Drummond destacou o potencial das terras raras, minerais considerados estratégicos para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia. Segundo ele, o Brasil possui uma das maiores reservas do mundo, mas ainda explora pouco esse potencial e precisa investir em industrialização para agregar valor à produção.
O professor também defendeu uma atuação coordenada entre governo, iniciativa privada e terceiro setor para ampliar a competitividade do país, além de reforçar a importância da segurança jurídica e de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento industrial.
No encerramento do painel, Flávio Roscoe voltou a defender a redução do Custo Brasil como condição essencial para ampliar a competitividade da economia brasileira. Para ele, tornar o país mais competitivo significa criar oportunidades de desenvolvimento, geração de empregos e redução das desigualdades, além de fortalecer os mecanismos de defesa comercial diante do atual cenário de disputas tarifárias internacionais.
Eloos Itatiaia
O Eloos Itatiaia é um movimento independente, apartidário e plural, criado pelo Grupo Itatiaia para reunir diferentes vozes, ideias e experiências em torno de um objetivo comum: impulsionar o desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais e do Brasil.
Por meio do Eloos, o Grupo Itatiaia promove a integração entre pessoas que atuam com propósito, em diferentes setores estratégicos para o país. O projeto é um espaço de diálogo qualificado, onde pontos de vista se encontram para gerar soluções concretas para os desafios comuns.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.



