Agro brasileiro ganha impulso com acordo comercial entre Mercosul e União Europeia
Acordo amplia oportunidades de exportação para o agronegócio brasileiro, mas também aumenta a exigência por adequação ambiental e rastreabilidade da produção

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que começou a vigorar neste mês de maio, reforça o protagonismo do Brasil na pauta da sustentabilidade no agronegócio. A medida prevê a isenção imediata de tarifas para 39% dos produtos agropecuários exportados à Europa, além da eliminação gradual das taxas para cerca de 95% das importações feitas pela União Europeia junto aos países do Mercosul.
Para usufruir dos benefícios do acordo, cadeias produtivas, especialmente setores como carnes, soja e café, precisarão cumprir protocolos rigorosos. Entre as exigências estão o alinhamento às normas europeias de combate ao desmatamento, com adoção de georreferenciamento e validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
A diretora-adjunta de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fernanda Maciel, destaca a relevância do acordo para ampliar a presença do agro brasileiro no mercado internacional.
“Quando o acordo Mercosul-União Europeia foi fechado, o Brasil ganhou uma credencial importante. Trata-se de um acordo amplo e complexo, que demonstra a maturidade do Mercosul nas negociações internacionais. Isso faz com que outros países passem a olhar o Brasil com mais interesse, especialmente como destino estratégico para as exportações do agro. No entanto, ainda existem receios relacionados a cadeias produtivas específicas, algo que aparece nas negociações com representantes de outros governos”, detalha.

Sustentabilidade
A sustentabilidade tem sido um dos principais diferenciais competitivos do agronegócio brasileiro. O vice-presidente da CNA e presidente do Sistema Faemg, Antônio de Salvo, afirma que o país reúne preservação ambiental e crescimento produtivo.
“Cerca de 66% do território brasileiro está preservado, algo sem comparação no mundo. Os Estados Unidos, por exemplo, têm aproximadamente 30% de área preservada, enquanto a Europa possui, em média, 5%. O Brasil consegue crescer respeitando o meio ambiente, utilizando pouco mais de 10% do território para lavouras e cerca de 20% para pecuária. O restante é ocupado por cidades e áreas preservadas, com biomas mantidos”, explica.

No Sul de Minas, a Fazenda São Paulo, em Lavras, aposta em práticas sustentáveis integradas à produção. A propriedade mantém ciclo completo de suinocultura, cultivo de grãos e produção de café, com foco em sustentabilidade e cafés especiais.
O diretor de produção da fazenda, Gilmar da Silva Rodrigues, destaca o reconhecimento conquistado pela propriedade e pela cooperativa parceira, além do investimento em diversidade de cultivares.
“A fazenda tem um forte compromisso com a sustentabilidade e busca produzir um café diferenciado. Trabalhamos com cerca de 30 variedades, das quais aproximadamente 10 se destacam, como Bourbon, Arara e Topázio. Esse trabalho tem ampliado as oportunidades no mercado de cafés especiais, um segmento com grande potencial de crescimento”, afirma.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.
