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Lula sobre relatório dos EUA contra o Pix: 'Não vamos mudar'

Presidente defendeu o sistema de pagamentos brasileiro após a Casa Branca divulgar um relatório com críticas

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Lula durante entrega do VLT em Salvador, na Bahia • Ricardo Stuckert | PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu as críticas feitas pelos Estados Unidos ao Pix, nesta quinta-feira (2), afirmando que o sistema não será mudado por forças externas. A declaração ocorre após um relatório da Casa Branca apontar para barreiras comerciais geradas pelo sistema de pagamento instantâneo brasileiro.

“Quero dizer que os Estados Unidos fizeram um relatório essa semana sobre o Pix e disseram que o Pix distorce o comércio internacional, porque acham que cria problema para a moeda deles. O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando para a sociedade brasileira”, disse.

A fala do presidente ocorreu durante um evento do VLT de Salvador, na Bahia. Lula ainda afirmou que o sistema pode ser aperfeiçoado. “O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que ele cada vez mais possa atender as necessidades de mulheres e homens neste país”, completou.

Segundo o relatório divulgado pelo escritório de representação comercial da Casa Branca (USTR), o Pix é prejudicial às empresas de cartão de crédito americanas. “O Banco Central do Brasil é o criador, dono, operador e regulador do Pix, uma plataforma de pagamento instantâneo. Acionistas americanos temem que o BC dê tratamento preferencial ao Pix, em desvantagem aos sistemas americanos”, alerta.

Em julho de 2025, a Casa Branca já havia lançado uma investigação para apurar se o uso do Pix representava um favorecimento ao mercado interno brasileiro, dificultando a concorrência. O processo foca no controle do Banco Central sobre a plataforma e pode levar à imposição de tarifas contra o Brasil.

A expectativa é que as conclusões preliminares sobre o processo sejam divulgadas até maio. O governo Donald Trump, inclusive, já teria entrado em contato com representantes do governo Lula (PT) para avisar sobre as últimas etapas da investigação comercial.

O documento também cita outras medidas do governo brasileiro como barreiras comerciais, como a lentidão para o registro de patentes, problemas na área de propriedade intelectual, tarifas para importação de etanol e até restrições sanitárias para a carne de porco americana.

“Embora o Brasil tenha tomado medidas para tornar seu mercado mais transparente, restrições e preferências nacionais permanecem. Empresas estatais brasileiras só podem subcontratar serviços a uma empresa estrangeira se não houver conhecimento técnico disponível no Brasil, e empresas estrangeiras só podem licitar para fornecer serviços técnicos se não houver empresas brasileiras qualificadas”, disse o documento.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.