Dólar dispara com ata do Copom, dados da inflação de julho e eleições
Mercado reage a expectativa de juros altos por mais tempo, com dados do IPCA acima das projeções

O dólar opera em forte alta nesta terça-feira (11), dia cheio para agenda do mercado financeiro com a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e divulgação dos dados oficiais do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação do país. Por volta das 14h30, o câmbio valorizava mais de 1%, cotado a R$ 5,16.
Na abertura do dia, a moeda americana chegou a recuar de R$ 5,11 para R$ 5,10 na primeira hora de negociação, mas rapidamente inverteu o sinal e voltou a subir. O mercado repercute informações que podem apontar para uma política monetária mais restritiva por mais tempo.
A ata da última reunião do Copom, que reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano, afirma que há mais riscos para alta na inflação do que para baixa, apesar de reconhecer a desaceleração das últimas leituras.
Segundo os diretores do Banco Central, as expectativas para o IPCA seguem distantes do centro da meta de 3% no horizonte relevante da política monetária, criando um cenário de expectativas desancoradas. Para 2026, a projeção do mercado é de 5,1%; em 2027 é de 3,8%; e 3,2% para o primeiro trimestre de 2028.
“O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária contribuirão para a reancoragem das expectativas, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo. A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, explicou o documento.
A ata do Copom ainda citou quatro riscos para alta da inflação no horizonte da política monetária. Segundo os diretores, o mercado incorpora impactos de segunda ordem de choques de oferta relacionados à alta no petróleo e seus derivados e os efeitos climáticos sobre a produção de alimentos e custos de energia, como citados no documento da semana passada.
Ainda citam uma maior resiliência na inflação de serviços, um conjunto de políticas econômicas que tenham impacto inflacionário maior que o esperado por meio de uma taxa de câmbio depreciada, e estímulos à demanda agregada.
Inflação e eleições
O mercado também repercute os dados do IPCA divulgados mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IPCA). Em julho, a inflação registrou alta de 0,07%, acima da expectativa dos economistas, que era de uma alta de 0,01%. Com o resultado, nos últimos 12 meses o índice acumula alta de 4,44%, abaixo dos 4,64% observados em junho, alcançando o menor patamar desde abril de 2026 e voltando a ficar abaixo do teto da meta de inflação.
Além dos indicadores econômicos, a pesquisa CNT/MDA também altera o humor do mercado. O levantamento mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% de intenções de voto contra 39% de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal opositor no pleito.
O levantamento aponta ainda que 10,6% dos eleitores pretendem anular o voto e 2,3% estão indecisos. A pesquisa foi feita a partir de 2.002 entrevistas presencialmente entre 5 e 9 de agosto deste ano. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-06935/2026.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



