BC aponta para riscos de alta na inflação e juros altos por mais tempo
Apesar de reconhecer a desaceleração no índice de preços, Copom afirma que há mais riscos para alta na inflação

O Banco Central divulgou, nesta terça-feira (11), a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que decidiu pelo corte de 0,25 ponto percentual (p.p) na taxa básica de juros. Ao reduzir a Selic para 14% ao ano, os diretores da autoridade monetária apontaram para os riscos de alta na inflação e pela manutenção da política contracionista por mais tempo do que “outrora seria apropriado”.
O colegiado ressaltou que as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seguem distantes do centro da meta de 3% no horizonte relevante da política monetária, criando um cenário de expectativas desancoradas. Para 2026, a projeção do mercado é de 5,1%; em 2027 é de 3,8%; e 3,2% para o primeiro trimestre de 2028.
“O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária contribuirão para a reancoragem das expectativas, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo. A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, explicou o documento.
A ata do Copom ainda citou quatro riscos para alta da inflação no horizonte da política monetária. Segundo os diretores, o mercado incorpora impactos de segunda ordem de choques de oferta relacionados à alta no petróleo e seus derivados e os efeitos climáticos sobre a produção de alimentos e custos de energia, como citados no documento da semana passada.
Ainda citam uma maior resiliência na inflação de serviços, um conjunto de políticas econômicas que tenham impacto inflacionário maior que o esperado por meio de uma taxa de câmbio depreciada, e estímulos à demanda agregada.
“O Comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, diz o Copom.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



