Quatro em cada dez 'sugar daddies' no Brasil declaram renda superior a R$ 100 mil mensais, aponta levantamento
Levantamento com mais de 10 mil usuários mostra público jovem, com idade média de 39 anos, e forte presença de empresários de tecnologia e mercado financeiro

Cerca de 39,5% dos homens que buscam relacionamentos sugar no Brasil declaram renda mensal acima de R$ 100 mil, somando rendimentos salariais e ganhos passivos de aplicações como fundos imobiliários e ações pagadoras de dividendos. É o que revela um levantamento realizado pela plataforma de relacionamentos MeuPatrocínio com 10.756 usuários cadastrados em todo o país.
Os dados apresentam um perfil distante do estereótipo do homem idoso e abastado. A idade média declarada pelos participantes é de 39 anos, abrangendo desde profissionais na casa dos 30 até executivos com mais de 50 anos. O patrimônio médio estimado pelos cadastrados é de R$ 4,35 milhões, considerando bens, aplicações financeiras e outros ativos informados na plataforma.
Perfil profissional e distribuição geográfica
A pesquisa mostra forte presença de profissionais ligados aos setores de inovação e finanças. Do total analisado, 36% se declaram empresários ou investidores do segmento de tecnologia. A indústria responde por 21% da amostra, seguida por fintechs (16%) e pelo mercado financeiro e de investimentos (14%).
Geograficamente, o estado de São Paulo lidera a concentração de cadastros, reunindo 38,4% dos usuários analisados. O Rio de Janeiro e Brasília ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugar na presença geográfica do público mapeado.
Na divisão por faixas de renda mensal declarada, os dados indicam:
- Até R$ 50 mil: 42%
- De R$ 50 mil a R$ 99 mil: 18,5%
- Acima de R$ 100 mil: 39,5%
Diversificação de renda e visão de mercado
Para Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, a amostra evidencia a heterogeneidade entre os usuários. "Não existe um perfil único. A amostra vai do empresário de tecnologia ao executivo de indústria, com renda declarada em faixas bem distintas e presença em pelo menos cinco regiões do país. Tratar esse público como um bloco homogêneo é o principal erro de leitura sobre ele", aponta.
Alexander Lima, coordenador da Escola de Negócios da Faculdade Celso Lisboa, destaca que o traço marcante do grupo é a estratégia de diversificação de ativos. "Quando salário ou renda do negócio próprio aparece combinado com dividendos, fundos imobiliários e outros investimentos, estamos falando de pessoas que não dependem exclusivamente da renda do trabalho. Há uma preocupação maior em transformar renda corrente em patrimônio capaz de gerar novos fluxos de caixa", avalia.
Lima acrescenta que profissionais dos setores de tecnologia e empreendedorismo costumam conviver mais de perto com risco e decisões financeiras, o que estimula uma postura voltada ao acúmulo de patrimônio e geração de renda futura.
Metodologia e limitações
O levantamento foi elaborado a partir de informações prestadas no cadastro e em atualizações de perfil dentro do site MeuPatrocínio. A amostragem considerou 10.756 usuários de todo o Brasil selecionados pelos critérios de maior engajamento e cadastro realizado nos últimos dois anos.
A plataforma ressalta que as informações são autodeclaradas, sem comprovação documental. Além disso, Alexander Lima pondera que os dados refletem exclusivamente o comportamento dos usuários da plataforma em questão e não devem ser generalizados para a população brasileira de alta renda como um todo.
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