Lista de despesas médicas dedutíveis no Imposto de Renda 2026 e o que não pode incluir

Guia técnico sobre a elegibilidade de gastos com saúde no modelo completo da declaração de ajuste anual e os critérios de conformidade fiscal

Categoria é o principal foco de fiscalização da malha fina

A declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) possui na dedução de despesas médicas um de seus mecanismos mais sensíveis e vantajosos para o contribuinte. Diferentemente das despesas com educação, que possuem um teto preestabelecido pela Receita Federal, os gastos com saúde podem ser deduzidos integralmente da base de cálculo do imposto, desde que devidamente comprovados.

No entanto, essa ausência de limites torna essa categoria o principal foco de fiscalização da malha fina. Para o exercício de 2026 (referente ao ano-calendário 2025), a compreensão exata do que compõe a lista de despesas médicas dedutíveis e o que deve ser excluído é fundamental para garantir a eficiência tributária e evitar sanções.

O funcionamento da dedução no modelo completo

Para que o contribuinte possa usufruir do abatimento fiscal gerado por despesas médicas, é obrigatório optar pelo modelo completo de tributação no momento do envio da declaração. No modelo simplificado, aplica-se um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis (limitado a um valor fixo), o que anula a necessidade e o benefício de discriminar gastos específicos.

No modelo completo, a lógica fiscal opera reduzindo a base de cálculo sobre a qual a alíquota do imposto incidirá. O sistema cruza as informações fornecidas pelo contribuinte com a DMED (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde), enviada por prestadores de serviço (médicos, clínicas e hospitais). Portanto, a documentação comprobatória — notas fiscais e recibos contendo CPF/CNPJ do prestador e do beneficiário — não é apenas uma formalidade, mas o lastro legal da operação.

A dedução contempla gastos realizados em benefício do próprio contribuinte e de seus dependentes ou alimentandos (neste último caso, apenas se previsto em decisão judicial ou escritura pública). É crucial notar que qualquer reembolso recebido de planos de saúde deve ser subtraído do valor declarado, sob pena de infração fiscal.

Lista de despesas médicas dedutíveis no imposto de renda 2026

A legislação tributária brasileira, regida pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR), define um escopo específico de serviços e procedimentos aceitos. Abaixo, detalha-se a lista de despesas médicas dedutíveis para o ciclo 2026:

  • Consultas e honorários profissionais: Pagamentos efetuados a médicos de qualquer especialidade, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos.
  • Estabelecimentos de saúde: Despesas com hospitais, clínicas e laboratórios de análises clínicas e radiológicas.
  • Planos de saúde: Mensalidades de planos de assistência médica e odontológica, bem como a coparticipação em exames e consultas.
  • Exames laboratoriais e radiológicos: Inclui desde exames de sangue rotineiros até procedimentos de alta complexidade como ressonâncias e tomografias.
  • Aparelhos ortopédicos e próteses: Pernas e braços mecânicos, cadeiras de rodas, andadores e palmilhas ou calçados ortopédicos, desde que comprovados com receituário médico e nota fiscal.
  • Próteses dentárias: A colocação e manutenção de aparelhos ortodônticos e dentaduras são dedutíveis, desde que a nota fiscal seja emitida pelo dentista ou clínica (não abrange a compra direta do material pelo paciente sem o serviço atrelado).
  • Cirurgias plásticas: Procedimentos estéticos ou reparadores são integralmente dedutíveis se realizados em ambiente hospitalar e cobrados por estabelecimento médico ou profissional habilitado, com exceção de gastos com próteses de silicone se estas não estiverem inclusas na fatura do hospital.
  • Despesas médicas no exterior: Pagamentos realizados a médicos e hospitais fora do Brasil são aceitos, exigindo-se a conversão dos valores para dólares americanos e, posteriormente, para reais, utilizando a cotação do Banco Central.
  • Fertilização in vitro: Admitida como despesa médica dedutível se realizada em nome da paciente (contribuinte ou dependente).
  • Marca-passo e lentes intraoculares: Dedutíveis quando o valor está integrado à conta hospitalar ou fatura do profissional.

O que não pode incluir e limitações regulatórias

A principal fonte de erros que leva contribuintes à malha fina é a inclusão de gastos relacionados à saúde que, para fins fiscais, não são considerados despesas médicas dedutíveis. A distinção entre “gasto com saúde” e “despesa médica dedutível” é técnica e restritiva.

Os itens abaixo configuram o que não pode incluir na declaração:

  • Medicamentos de farmácia: A compra de remédios, mesmo os de uso contínuo e com receita médica, não é dedutível se adquirida em farmácias. A exceção ocorre apenas se o medicamento estiver incluído na conta hospitalar de uma internação.
  • Enfermeiros e massagistas: Serviços de enfermagem e massagem não são dedutíveis, exceto se fizerem parte da fatura hospitalar. Cuidados domiciliares (home care) só são aceitos se estiverem inclusos na fatura de um estabelecimento hospitalar ou plano de saúde.
  • Óculos e lentes de contato: A compra de óculos de grau, lentes de contato e aparelhos auditivos não gera abatimento fiscal.
  • Vacinas: Vacinas aplicadas em clínicas particulares geralmente não são dedutíveis, a menos que a clínica emita nota fiscal como “serviços médicos” ou “hospitalares”. A compra da vacina em farmácia é indedutível.
  • Nutricionistas (restrição): A consulta com nutricionista é dedutível. No entanto, a compra de suplementos alimentares recomendados por este profissional não é.
  • Academia e natação: Gastos com atividades físicas, ainda que prescritos por médicos para reabilitação, não são dedutíveis.
  • Teste de DNA: Exames de DNA para investigação de paternidade não são considerados despesas médicas para fins de IRPF.
  • Veterinário: Despesas médicas com animais de estimação não são dedutíveis.

Perguntas frequentes sobre despesas médicas e IRPF

1. Existe limite de valor para dedução de despesas médicas?

Não. Ao contrário das despesas com educação, as despesas médicas podem ser deduzidas integralmente, desde que devidamente comprovadas e que o contribuinte opte pelo modelo completo de tributação.

2. O reembolso do plano de saúde afeta a dedução?

Sim. O contribuinte deve declarar o valor total pago e, no campo específico, informar o valor reembolsado (“Parcela não dedutível”). Apenas a diferença entre o pago e o reembolsado será utilizada para abater o imposto.

3. Posso deduzir gastos com idosos em casas de repouso?

Apenas se a instituição for enquadrada como hospitalar e emitir nota fiscal com essa classificação específica. Casas de repouso que oferecem apenas hospedagem e cuidados básicos, sem enquadramento hospitalar, não geram despesas dedutíveis.

4. O teste de Covid-19 é dedutível?

Se realizado em laboratório de análises clínicas ou hospitais, sim. Testes rápidos comprados em farmácias (autoteste) não são dedutíveis.

A correta segregação entre despesas dedutíveis e não dedutíveis é um pilar do planejamento tributário da pessoa física. Enquanto a lista de despesas médicas dedutíveis no imposto de renda 2026 oferece oportunidades significativas de recuperação fiscal, a inclusão indevida de itens proibidos — como medicamentos de farmácia ou academias — eleva substancialmente o risco de auditoria. Recomenda-se a guarda de todos os comprovantes fiscais por um período mínimo de cinco anos a partir da data da entrega da declaração.

Disclaimer: As informações contidas neste artigo têm caráter meramente informativo e educacional, baseadas na legislação vigente até a data da publicação. Regras tributárias podem sofrer alterações. Recomenda-se a consulta a um contador qualificado ou auditor fiscal para análise de casos específicos.

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