Governo registra superávit de R$ 10,8 bilhões em julho, melhor resultado do mês desde 2022
Mesmo com resultado positivo, as contas públicas seguem em déficit no acumulado do ano e dívida pública chegou a quase R$ 9,27 trilhões em junho

As contas do governo federal registraram superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Tesouro Nacional. Ou seja, as receitas federais foram maiores que as despesas, sem considerar os gastos com juros da dívida pública.
O resultado considera as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social e acarretou no melhor para o mês de julho desde 2022. O valor é bem diferente do mesmo período do ano passado, quando houve déficit de R$ 59,1 bilhões.
A melhora das contas em julho foi influenciada, principalmente, pelo aumento das receitas e pela redução de algumas despesas em relação ao mesmo mês do ano passado. Entre os fatores que contribuíram com a arrecadação estão o aumento de recursos administrados pela Receita Federal e da arrecadação previdenciária.
No acumulado do ano, a receita total avançou 5,7% em termos reais, enquanto a receita líquida cresceu 5,9%.
Por outro lado, em relação às despesas, o Governo Central gastou R$ 215,5 bilhões em julho, uma queda de 20,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, previu, o resultado foi influenciado em grande parte pela redução dos gastos com precatórios e benefícios previdenciários.
A receita total do Governo Central em julho chegou a R$ 275,9 bilhões, alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita líquida, depois das transferências para estados e municípios, somou R$ 226,3 bilhões, o equivalente a 7,7%.
Resultado distante da meta
O resultado de julho é positivo, mas ainda não representa uma reversão completa das contas públicas para chegarem ao azul. Isso porque a meta fiscal estabelecida para 2026 prevê um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB.
Apesar do resultado positivo mensal, o cenário das contas públicas segue em déficit no acumulado do ano. O governo ainda enfrenta o desafio de controlar o crescimento da dívida pública que, em junho, chegou a quase R$ 9,27 trilhões, o maior valor da série histórica.
Entre janeiro e julho, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 81,3 bilhões, contra R$ 70,3 bilhões no mesmo período de 2025. Quando considerado o período de 12 meses até julho, o déficit primário sobe para R$ 71,6 bilhões, o equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso mostra que os gastos do governo cresceram 6,2% acima da inflação.
A alta ocorreu, principalmente, pela emissão líquida de títulos públicos e pela incorporação de juros ao estoque da dívida. Cerca de 69% das emissões realizadas em junho estavam vinculadas à taxa básica de juros, a Selic.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



