Durigan afirma que o ano encerrará com as contas públicas em ordem e possível superávit
O ministro afirma que contigenciou R$ 17,5 bilhões dos órgãos públicos para enfrentar os desafios econômicos considerando o cenário atual

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal deve encerrar 2026 com déficit primário zerado e não descartou a possibilidade de registrar superávit nas contas públicas. Mesmo em ano eleitoral, ele garantiu que a equipe econômica trabalha na elaboração do Orçamento de 2027 para deixar as contas organizadas ao próximo governo, independentemente do resultado das eleições.
“Esse ano, vamos seguir com o déficit zerado, com alguma sorte, fazendo um superávit, mas a conta está em ordem. A conta do Tesouro vai fechar em ordem no fim do ano e eu já estou apresentando um planejamento, um balanço das contas do ano que vem. O nome disso é Orçamento 2027”, disse em entrevista à Capital 95 FM, nesta quarta-feira (29).
Embora as contas públicas tenham apresentado melhora em relação aos anos anteriores, elas ainda enfrentam pressão. A avaliação do ministro considera a metodologia utilizada para o cumprimento da meta fiscal, que permite a exclusão de determinadas despesas, como parte dos precatórios. Segundo Durigan, esses passivos foram herdados da gestão anterior e vêm sendo quitados pelo atual governo.
“Nós recebemos uma conta em 2023, primeiro ano dessa gestão, em que fechamos, para pagar calote de precatórios, calote em governador, R$ 232 bilhões no negativo. Em 2024, a gente zerou o déficit”, afirmou.
Pelas projeções oficiais do ministério, embora o resultado primário de 2026 tenha sido deficitário antes dos ajustes, os dados mostram a dívida bruta do governo geral passando de 80,2% para 81,1% do PIB entre abril e maio, a exclusão de despesas autorizadas pelas regras fiscais, como parte dos precatórios, leva a um superávit primário. O resultado está dentro da margem de tolerância prevista para a meta fiscal deste ano.
Apesar disso, ainda há divergência entre as estimativas do governo e as projeções do mercado. Na a mediana do Prisma Fiscal para 2026 a dívida bruta permaneceu em 83% do PIB entre junho e julho. Para o próximo ano, a estimativa é de que cresça para 86%, indicando que, apesar do otimismo de Durigan, a trajetória das contas públicas continua sendo um desafio para os próximos anos.
Durigan também criticou o planejamento orçamentário herdado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a proposta recebida em 2023 não previa recursos suficientes para programas sociais, como o Bolsa Família e o Farmácia Popular.
O ministro afirmou ainda que a equipe econômica promoveu um bloqueio de R$ 17,5 bilhões no orçamento deste ano em meio aos impactos da guerra entre Irã e Israel, dos efeitos do El Niño e do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
“Você ouve muita gente dizendo na imprensa que o governo gasta muito. O governo, em ano de eleição, está cortando. Eu estou fazendo essa medida, R$ 17,5 bilhões dos órgãos públicos, até para mostrar para as pessoas que o governo tem que primeiro fazer o seu papel antes de cobrar”, declarou.
Durigan também criticou a polarização política por considerar que ela desvia o foco de temas como geração de empregos, atração de investimentos e melhoria da qualidade de vida da população. Segundo ele, o objetivo é entregar um orçamento de 2027 organizado, independentemente de quem vencer as eleições.
“O orçamento do próximo ano, apesar de eu estar vivendo um ano de eleição, vem direitinho, com tudo o que tem que cortar e cobrar lá dentro. Assim, o próximo governo vai ter condição melhor de seguir fechando as contas e de diminuir a taxa de juros em relação ao que a gente encontrou no começo desta gestão”, concluiu.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



