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Habib’s entra em recuperação judicial após pedido ser aprovado pela Justiça

Rede de fast food, que também é dona das marcas Ragazzo e Tendall Grill, informou que a medida visa a reestruturação financeira para preservar a sustentabilidade do negócio

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Além do Habib's, o Grupo Gennius é também dono das marcas Ragazzo e Tendall Grill • Habib's / Divulgação

O Habib’s, uma das maiores redes de alimentação do Brasil, enfrenta a maior crise financeira de sua história. Fundado em 1988, o grupo que controla a marca entrou com um pedido de proteção judicial contra credores diante de uma dívida que ultrapassa R$ 300 milhões. A medida é considerada um passo que pode anteceder um processo de recuperação judicial.

A trajetória da rede começou com uma proposta simples: oferecer comida árabe a preços baixos. A estratégia ajudou a transformar as esfihas em um dos principais símbolos da marca e fez o Habib’s crescer rapidamente pelo país. Ao longo dos anos, o grupo também incorporou outras operações, como o Ragazzo e o Tendall Grill.

A crise atual, porém, colocou em xeque um modelo de negócios que durante décadas teve como principal diferencial os preços acessíveis. Uma esfiha que custava R$ 0,99 há cerca de dez anos hoje é vendida por aproximadamente R$ 4,99, segundo levantamento citado pela Gazeta do Povo.

Dívida supera R$ 300 milhões

O Grupo Gennius Brasil, controlador do Habib’s, acumula uma dívida de aproximadamente R$ 312,4 milhões. A maior parte do passivo está concentrada em instituições financeiras, mas a lista de credores também inclui fornecedores de alimentos, empresas de tecnologia e prestadores de serviços.

Em julho, a Justiça concedeu uma proteção de 60 dias contra ações de cobrança e execuções. O objetivo é permitir que a empresa negocie com os credores e mantenha as operações enquanto busca uma solução para o endividamento.

A decisão também determinou que fornecedores de produtos e serviços essenciais não interrompam os contratos, desde que os novos fornecimentos sejam pagos à vista. Por outro lado, a Justiça negou o pedido para liberar recebíveis oferecidos como garantia aos bancos.

Pandemia e mudança nos hábitos de consumo

Na ação apresentada à Justiça, o grupo atribuiu parte das dificuldades aos efeitos da pandemia de Covid-19, que prejudicou o movimento dos restaurantes entre 2020 e 2022.

A empresa também apontou a mudança nos hábitos de consumo, com o crescimento dos aplicativos de delivery e a redução da frequência de clientes nas lojas físicas. Outro fator citado foi o aumento do custo de capital em razão dos juros elevados.

Especialistas do setor, porém, avaliam que a crise também está relacionada à dificuldade da rede em acompanhar as transformações do mercado. Concorrentes teriam avançado em inovação, experiência do consumidor e adaptação aos novos hábitos de consumo, enquanto o Habib’s teria mantido um modelo semelhante ao adotado desde os primeiros anos da marca.

De símbolo do preço baixo à crise

O Habib’s construiu sua identidade justamente em torno dos preços acessíveis. A estratégia ajudou a rede a conquistar gerações de consumidores, especialmente estudantes e famílias.

Com o aumento dos custos de operação e a inflação, entretanto, manter preços baixos se tornou mais difícil. A empresa passou a enfrentar também uma concorrência maior no setor de alimentação e delivery.

Nos últimos meses, unidades do grupo foram fechadas em cidades como São Paulo, São José do Rio Preto, Limeira e Passos, em Minas Gerais. Atualmente, o conglomerado reúne cerca de 300 restaurantes Habib’s e 200 unidades do Ragazzo, além de outras operações.

Apesar da crise, o grupo afirma que as lojas continuam funcionando normalmente e que a proteção judicial tem como objetivo justamente preservar as atividades enquanto as dívidas são negociadas.

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