EUA voltam a usar desmatamento no Brasil para justificar tarifas e ampliam pressão comercial
Governo americano afirma que desmatamento ilegal favorece a competitividade do agronegócio brasileiro, argumento usado para defender a nova política tarifária de Donald Trump

O governo dos Estados Unidos voltou a associar o desmatamento no Brasil a uma suposta vantagem competitiva do agronegócio brasileiro para defender a política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump. A declaração reforça o discurso de Washington de que produtores brasileiros seriam beneficiados por custos menores ligados a práticas ambientais, o que colocaria agricultores americanos em desvantagem.
O argumento faz parte da investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil e é um dos pilares utilizados pelo governo de Trump para sustentar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo Jamieson Greer, representante do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR), além de questões ligadas ao comércio, o documento cita o desmatamento ilegal como um fator que afetaria a competitividade dos produtores norte-americanos.
"Mais recentemente, em relação ao Brasil, tivemos reclamações por anos sobre as práticas de desmatamento no Brasil, que dão uma vantagem injusta aos nossos agricultores. Por isso, iniciamos uma investigação da Seção 301 sobre o desmatamento no Brasil e adotamos uma posição firme sobre o tema", afirmou.
Nesta quarta-feira (22), entrou em vigor a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras. A medida faz parte da nova estratégia comercial da gestão Trump, que tem ampliado o uso de tarifas como instrumento de negociação com parceiros internacionais. Apesar da nova cobrança, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil continuarão isentos da tarifa, entre eles carne bovina, café e peças de aeronaves. Segundo estimativas citadas pelo Atlantic Council, cerca de metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanecerá livre da sobretaxa.
O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, afirmou na terça-feira (21) que o governo brasileiro pretende buscar uma solução por meio do diálogo, descartando, por enquanto, a adoção de medidas de retaliação. Especialistas avaliam que a justificativa apresentada por Washington ultrapassa questões estritamente comerciais. Para a pesquisadora Valentina Sader, do Atlantic Council, a alegação de que o Brasil não negociou de boa-fé reforça a percepção de que a medida também possui um componente político direcionado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto a tarifa sobre o Brasil já está em vigor, a Casa Branca prepara uma nova rodada de medidas comerciais contra outros parceiros. A expectativa é que Washington substitua a tarifa global temporária de 10% por novas cobranças direcionadas a países que, segundo os EUA, não combatem adequadamente o trabalho forçado.
Nos últimos dias, o governo Trump também anunciou novas tarifas sobre o Canadá e confirmou a criação de alíquotas de até 200% para medicamentos genéricos importados, que serão implementadas de forma gradual a partir de 2028. A intensificação da política tarifária aumenta as incertezas no comércio internacional e amplia as tensões entre os Estados Unidos e seus principais parceiros econômicos, incluindo o Brasil.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



